Atualizado em: maio 5, 2026 às 8:00 am
Por Guilherme Costa
Que o Heavy Metal se estabeleceu no Brasil com veemência, todo mundo sabe — mesmo que o mainstream se resuma a Sepultura e Angra. A maioria dos subgêneros tem os seus grandes representantes, seja no Black, Death, Thrash, Power e até mesmo no Folk Metal.
O metal sinfônico, no entanto, não conseguiu atingir o “mainstream” dentro do underground, demandando um trabalho de pesquisa e curiosidade para pesquisar alguns grupos existentes no país. No Thrash, por exemplo, temos o Korzus e o Claustrofobia: bandas undergrounds, mas que são conhecidas do brasileiro (metaleiro, isso mesmo!) em geral.
Já no Power Metal, a história é um pouco distinta. Portanto, diferentemente das outras duas partes do “(Sub)gênero em foco”, esse episódio começará pelo Power Metal!
Power Metal: Angra e o underground
Todos sabem que a história do Angra sempre é iniciada pela empreitada do seu vocalista original, Andre Matos, no Viper (a sua primeira banda). Foi lá que o grupo paulistano (ainda na vibe do Metal Melódico) agregou elementos sinfônicos na faixa que encerra o seu segundo disco de inéditas (“Theatre of Fate”): “Moonlight”. Enquanto o Viper foi numa direção mais pesada, Andre Matos, junto da sua então nova banda, seguiu ampliando a influência da música erudita em sua obra.
“Angels Cry”, disco de estreia do Angra, é um Power Metal tradicional, que já era feito na Europa, mas com grandes bases sinfônicas, como no interlude que precede o clássico absoluto “Carry on” e na pesada “Evil Warning”; os elementos seriam explorados no seu sucessor, o (outro clássico) “Holy Land”, e deixado um pouco de lado em “Fireworks” — mesmo que a banda tenha contado com uma orquestra de trinta músicos —, cujas guitarras de Kiko Loureiro e Rafael Bitencourt estão mais pesadas do que nunca.
Mesmo após a saída de Andre, Hugo Mariutti e Ricardo Confessori, em 2000, a banda seguiu com “grandes sinfonias” em suas músicas (quem não se arrepia com a introdução de “Nova Era”?). Aliás, vale lembrar que a banda surgiu antes do Rhapsody, um dos grandes nomes a consagrar o Power Metal sinfônico.
No vasto underground, alguns dos destaques vão para o Glory Opera (grupo do vocalista Humberto Sobrinho, que integrou o Hangar entre 2009 a 2011), o Soulspell (banda de Opera Metal, idealizada por Heleno do Vale, e que lançou o seu quinto disco de inéditas no ano passado), Dark Avenger (banda que teve as atividades encerradas após o falecimento do vocalista Marcelo Linhares) e do Age of Artemis (que retornou com uma nova formação e promete um disco de inéditas para este ano).
Entre bandas com as atividades constantes, outras que vão e vêm (realidade do metal nacional) e outras que ficaram apenas em nossa memória, o Power Metal sinfônico brasileiro rendeu grandes joias para o gênero.
Miasthenia: Black Metal sinfônico e cantado em português
Mesmo que o Black Metal nacional não tenha visto a luz do mainstream, o que não é um fato ruim, o gênero tem um caráter pioneiro com a cena mineira da década de 80, com o surgimento dos conceituados Sarcófago, Holocausto e Mutilator — Vulcano e o supracitado Sarcófago, inclusive, estão presentes no livro Black Metal: A História Completa Vol. 1, tamanho foram as suas respectivas importâncias. Ou seja, não é nada difícil se deparar com um grupo de BM brasileiro.
Conheci o Miasthenia em 2018, quando eu “cai” num canal de entrevistas (do qual eu não me recordo o nome) em que a banda de Brasília era um dos destaques. Corri para ouvir o disco “Antípodas”, lançado em 2017, e a paixão foi à primeira vista (ou melhor, ouvida). A propósito, eu tenho o “Antípodas” e o “Legados do Inframundo” nas versões físicas (CD).
O Black Metal visceral, sobrepujado por elementos sinfônicos sofisticados, cuja temática é voltada para os povos ancestrais da América Latina, ganha contornos de curiosidade quando descobrimos que as letras são cantadas em português. Atualmente formado por Susane Hécate (vocal/teclado), Thormianak (guitarra), Aletéa Cosso (baixo/violino) e Lith (bateria), a banda existe desde 1994 e teve o disco de estreia (“XVI”) lançado no ano de 2000.
De lá para cá, o grupo lançou outros cinco álbuns de inéditas, sendo o mais recente (“Espíritos Rupestres”) em 2024. No ano de 2019, a banda lançou o disco “Sinfonia Ritual” — que conta com versões épicas dos seus primeiros lançamentos —, reafirmando a importância dos elementos sinfônicos para a sonoridade da banda.
Outros grupos que podem ser destacados são os catarinenses do Cerimonial Sacred e o Paradise in Flames — que estará na edição de 2026 do Bangers Open Air.
Mas e o Symphonic Metal?
Muito popular no Brasil, vide os grandes shows que Nightwish, Tarja Turunen, Within Temptation e Epica costumam realizar no país, o gênero não conseguiu criar uma cena nacional (mesmo aos trancos e barrancos, o Power, Thrash, Black, Death e Prog Metal, tem os seus grandes nomes estabelecidos), transformando o exercício de conhecer uma banda brasileira de Symphonic Metal em algo trabalhoso.
Bom, nos shows das bandas citadas — e outras do gênero — algumas bandas brasileiras foram as reesposáveis pelas respectivas aberturas das apresentações. Foi assim que eu conheci a BrightStorm (que abriu o show do Vuur e Delain em 2019 e do Sirenia em 2025) e o Innocence Lost (eles abriram o show do Lacuna Coil em 2017; o grupo carioca não é bem metal sinfônico). Já o Santo Graal, grupo formado em Belém e atualmente baseado em São Paulo, chamou a atenção do público ao vencer o concurso “New Blood”, rendendo a apresentação na edição de 2024 do Summer Breeze Brasil — eles também abriram os shows da Tarja Turunen no país em 2023.
Conhecer artistas através de shows de aberturas é um exercício divertido, mesmo que a tendência seja ignorá-los, tendo em vista que há aquele sentimento de ouvir algo novo e gostar imediatamente. Mas as redes sociais também tem um papel importante na busca por uma banda brasileira de metal sinfônico. Foi assim que eu conheci a banda Lyria, grupo formado em 2012 e que tem dois discos em seu currículo.
A mistura entre metal e elementos sinfônicos são comuns em bandas brasileiras, seja de Power e Black Metal — cito também o Prog Metal nacional —. O que diferencia os gêneros citados do Symphonic Metal, em si, é que o público brasileiro não absorveu totalmente as bandas nacionais do gênero. Mas, como sempre, qualidade não falta!





