Imagem dos integrantes da Schlop

Schlop lança o disco novo e anuncia pausa em suas atividades

Entre regravações e músicas inéditas, Schlop se despede (momentaneamente) com o disco "Cachorros e Madames No Fim Do Mundo"

Atualizado em: maio 9, 2026 às 1:46 pm

Por Guilherme Costa

Eu conheci a Schlop numa noite fria em São Paulo, quando o grupo se apresentou ao lado do Pata Sola (a banda que eu queria ver) e o Nietts no Cafundó. Confesso que eu ouvi pouco do grupo em seguida, embora eu tenha gostado da banda, até ver que a idealizadora do projeto, Bella Pontes (personagem importante no underground paulistano), passou a se apresentar com o Wilza.

Com o lançamento do single “São Paulo, Te Amo, Mas Tá Foda Demais (New York, I Love You But You’re Bringing Me Down)” — uma releitura da música do LCD Soundsystem —, o grupo voltou a ficar no meu radar. E assim, eu ouvi o segundo disco da (agora) banda: “Cachorros e Madames No Fim do Mundo”.

Aliás, é importante entender que o trabalho foi, de fato, gravado como uma banda, tendo as participações de Lucia Esteves (guitarra), Antonio Valoto (bateria) e Alexandre Lopes (baixo). Diferentemente de “Canções de Amor para o Fim do Mundo” e do EP “Senhores e Senhores, Cachorros e Madames”, no qual a gravação foi integralmente feita por Bella, a Schlop deixou a roupagem Lo-Fi/ Breedom Indie (quase demo tape) de lado em detrimento de um som mais encorpado.

Com regravações dos outros lançamentos, o disco é forte em suas influências noventistas (Pavement, Breeders e etc.) distorcidas e um certo desleixo emulado pelos jovens da época. É nesse tom que “Clássicos”, com muito mais punch que a versão original, abre o disco abordando de forma cínica, eu diria, as clássicas intempéries da vida:

Os clássicos são clássicos por uma razão/ como os clássicos sorrisos acompanhados de pedidos/ e os clássicos desprezos que veem elogios e outros sentimentos mistos que nos fazem gritar

“Canção do Fim do Mundo”, música originalmente presente no álbum de estreia do grupo, também foi outra faixa a ganhar uma faceta mais encorpada — mesmo que a versão original seja aquele tipo de música grandiosamente simples —, com camadas eletrônicas mais acentuadas e a bateria se juntando a linha reta de baixo, resultando numa faixa que funciona como uma contagem regressiva para a explosão da sua parte final!

As faixas inéditas também estão em total sintonia lírica e sonora com as músicas regravadas. Além da já citada “São Paulo, Te Amo…”, “Marquinho Van Halen” — faixa em homenagem ao “doguinho” de Bella Pontes —, que não seria a mesma coisa na voz de outra pessoa, e “Rima Triste” esbanjam carisma e inteligência ao ser simples, direto, irônico e cômico.

Para quem conheceu a Schlop neste álbum, a chance de ver as músicas ao vivo serão diminutas, uma vez que juntamente ao anuncio do disco foi revelado que a banda daria uma pausa para os seus integrantes focarem em outros projetos. De toda forma, o registro de um disco distorcido e carregado da áurea DIY da década de 90 está no mundo para apreciarmos, cartarmos e gritarmos (au au).

Picture of Guilherme
Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *