Atualizado em: maio 12, 2026 às 7:07 am
Por Guilherme Costa
Vanessa Carlton explodiu para o mundo em 2002, ao lançar o grande hit da sua carreira: “A Thousand Miles”, que rendeu premiações e muito sucesso. Todos sabem da história que veio a seguir. Numa empreitada de mais uma artista tentando fugir do assédio para criar o próximo sucesso retumbante — vide o início do clipe de “Nolita Fairytale”, onde o icônico início do videoclipe do seu maior sucesso é esmagado por um táxi —, Carlton chega ao seu sétimo álbum de inéditas dando outra amostra do seu grande amadurecimento enquanto artista.
“Veils” foi lançado no dia 17 de abril, via Liberman Records, com a produção sendo assinada por Dave Fridmann, seguindo o caminho Art Pop pavimentado pelos seus antecessores “Liberman” (2015) e “Love Is Art”.(2020). Aos 45 anos de idade, sendo uma pessoa que não se curvou para as tendências do mundo fonográfico, a musicista não se furtou de experimentar e compôs um álbum que é engrandecido por camadas eletrônicas e instrumentos de sopro e percussão. Tanta variedade foi resumida por ela como uma pessoa olhando para si e percebendo as suas diversas camadas, em entrevista ao portal People.com:
“Eu realmente vi muitas das músicas como incorporando diferentes versões da mesma pessoa. Há camadas e mais camadas dentro do disco. É quase como se, a cada música, você estivesse levantando uma nova camada para o próximo véu. Quem é a pessoa real? Eu não sei, mas tudo isso encapsula uma experiência humana, e seja qual for a conexão de alguém com ela, com qual véu, essa é a experiência dessa pessoa.”
O início, entretanto, dialoga bastante com o seu disco lançado há seis anos. “Animal”, faixa que fala sobre estoicismo, começa com o foco na dinâmica característica entre voz e piano mas que logo ganha profundidade numa grande sinfonia onírica. O jogo começa a ganhar tons distintos na semi-eletrônica “Unknown Drive” — faixa recheada de camadas eletrônicas e uma dinâmica mais atmosférica, com intervenções de instrumentos de sopro. Sem dúvidas, uma faixa surpreendente.
As programações eletrônicas são utilizadas a esmo na faixa seguinte (outra surpreendentemente boa), “Woke Up High”, uma balada que evoca dias festivos e tranquilos (sem a preocupação do trabalho no dia seguinte), enquanto Carlton canta: “Hoje eu acordei chapada/ Vi um outro lado/ Deixei tudo pra trás/ Joguei meu celular no mar”. Carlton comentou, na citada entrevista para o portal People, que ela foi escrita a partir das suas lembranças de danças noites à dentro nas baladas de Nova Iorque e como isso tem diminuído.
“The Mountain”, “Great House” e “Agony of the Flower” não chocam pelo excesso de elementos eletrônicos, mas pega os traços minimalistas de “Liberman” e “Love Is Art” para criar paisagens soberbas, cheias de instrumentos de sopro e percussão. Outras amostras da evolução da sonoridade da artista!
Curiosamente, ou não, após a grande explosão de sensações que as músicas do álbum conseguiram produzir, Vanessa botou o pé no freio nas duas últimas faixas, mostrando que o seu talento com o seu fiel instrumento segue sendo o grande destaque da sua música — além da sua bela voz —, em que ela esbanja senso melódico. “Strawberries In Winter” e “Veils” soam como músicas propícias para o recolhimento, mas como o álbum é calcado em sentimento estoicos, elas funcionam como o poder do recolhimento e do silêncio para poder respirar em paz.
“Quando estou com você/ Toda minha dor se transforma em amor, esse amor/ O tempo dá a mão para quem vê/ O amor é a bênção/ Algum dia diremos adeus/ Volte para a energia eterna/ Por enquanto, estamos dançando nas sombras/ Saber onde está a luz/ Shalom”
Vanessa Carlton é uma das minhas cantoras favoritas (dediquei um capítulo a sua obra na época que o Um Outro Lado da Música era apenas um podcast experimental) e eu mal acredito que já faz seis anos do seu último lançamento. Com “Veils”, os fãs que continuaram com a cantora durante a sua profícua carreira receberam outro registro cheio de sensibilidade e texturas da Art Pop.





