Imagem dos integrantes do Black Crowes

Black Crowes básico e rock and roll no disco “A Pound of Feathers”

Mais cru e mais alto que o seu sucessor, o Black Crowes mostra que ainda tem lenha para queimar

Atualizado em: junho 16, 2026 às 8:37 am

Por Guilherme Costa

Em 2019, o mundo do rock and roll presenciou uma reunião que poucos botavam fé que iria acontecer (algo que já deixou de ser um “milagre”, com a reconciliação de integrantes do Guns n’ Roses, Helloween, Angra…): os irmãos Chris e Rich Robinson haviam feito as pazes e, melhor ainda, anunciaram o retorno do Black Crowes para comemorar o trigésimo aniversário do disco de estreia “Shake Your Money Maker”.

Inicialmente sem nenhum outro integrante do grupo, incluindo (ou melhor, excluindo) o baterista e membro fundador Steve Gorman, a ideia não causou nenhuma expectativa além da nostalgia. Mas a grande turnê mundial comemorativa, interrompida pela pandemia da COVID-19, e a grande forma dos irmãos acederam uma fagulha de esperança em seus fãs. E assim saiu o disco “Happiness Bastards”, um ótimo disco que mostrou a que os irmãos Robinson estavam em grande forma.

Tour de reunião e um ótimo disco não estava nada mal para os apreciadores do Black Crowes. E, então, veio outra surpresa: um novo disco!

“A Pound of Feathers” saiu no dia 13 de março, via Silver Arrow, e teve três prévias liberadas: “Profane Prophecy”, “Pharmacy Chronicles” e “It’s Like That”. Três faixas que me pegaram desprevenido, mas que mostrou (novamente) que a mente criativa da dupla de irmãos permaneceu inquieta:

“Estou sempre olhando pelo ângulo de, ‘Olha, já fizemos muitos discos. Fazemos isso há muito tempo. O que podemos fazer com este?’ No final das contas, trata-se de amar o que você está fazendo, e há uma alegria na criação com a qual sempre nos envolvemos e da qual nos conectamos… Isso te força a ser instintivo em vez de pensar sobre isso”. Declarou Chris Robinson ao portal Billboard, em março deste ano.

Para além da missão de construir uma obra que faz jus ao respeitável histórico de clássicos, “A Pound of Feathers” teve outra missão indigesta: conseguir estar à altura de “Happiness Bastards” — álbum que está no nível dos primeiros (e clássicos) lançamentos da banda. Bom, não conseguiu, mas também não está aquém.

Apoiados por Cully Symington (bateria), Erik Deutsch (teclados) e as backing vocals, Mackenzie Adams e Leslie Grant, o início é no volume mais alto, com “Profane Prophecy” e “Cruel Streak”, trazendo a crueza do álbum de estreia e empolgando o ouvinte que quer ouvir um bom e velho Rock and Roll/ Hard Rock. Entre esses faixas e “Do the Parasite!”, está o Blues/ Soul de “Pharmacy Chronicles” — uma música que poderia estar em “The Southern Harmony and Musical Companion” e que mostra que a voz de Chris Robinson segue potentíssima!

Todas faixas muito boas, como descritas, mas que numa primeira audição soam básicas demais. Não digo que estão próximas do clichê, mas o álbum me causou a sensação de uma banda fazendo algo que já fez em algum momento.

Entretanto, há faixas que quebram não só a paisagem “sexo-drogas-rockandroll” como também apresentam algo mais além do que isso, como é o caso da balada “High & Lonesome”, um Blues (um pouco Oasis da versão Noel Gallagher) que caminha entre um tom lamentoso e orgulhoso do vai-e-vem da vida: “Vamos brindar à doce tristeza/ Vamos tocar a mão fria do destino/ E vamos esquecer todos os amanhãs na sombra de hoje/ E vamos perdoar suas transgressões/ Pois eles não sabem o que fizeram/ Nas ruínas do jardim, o chão está queimado pelo Sol”; “Queen of B-Sides” vem na sequência, como se fosse a mesma música e deixa o clima mais acústico e muito mais Blues.

“Blood Red Regrets” segue a veia “garageira” do início do álbum, mas conta com um certo groove — e intervenções de teclados — que transforma a atmosfera de festa em algo mais urgente e angustiante. Ela só não é mais angustiante “Doomsday Doggerel”, uma fusão entre o Sabbath e algo alternativo de qualquer década.

Se eu coloquei “Happiness Bastards” no pedestal de clássico, “A Pound of Feathers” entra na lista (um pouco complacente) de disco competente; até porque os irmãos Robinson estão em companhia de músicos competentes. Mas é importante ressaltar e celebrar como o Black Crowes ainda consegue ser uma banda empolgante, com Chris mantendo a sua distinta voz e Rich entregando um ótimo trabalho de guitarras.

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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