Imagem dos integrantes do Bullet Bane

A nova velha cara do Bullet Bane no disco “O Agora Que Cobra Viver”

Disco que estreia a nova formação do grupo marca o retorno a sonoridade voltada para o hardcore

Atualizado em: julho 26, 2026 às 11:33 am

Por Guilherme Costa

O Bullet Bane é uma banda que esteve em constante mutação durante os seus quase vinte anos de estrada. Mas as mudanças que a antiga formação causaram, provocou rupturas — sonoras e com o seu público  — nos álbuns “BLLT” e “ART.FICIAL”, onde as tão características guitarras do grupo foram deixadas de lado em detrimento de uma sonoridade eletrônica (sobretudo no último). Curiosamente, quando o Bullet lançou o single “O Que Você Faria”, ainda com o Arthur Mutanen nos vocais, em 2025, parecia que a formação daria um outro rumo ao que vinha sendo feito até então.

Bom, até deu, já que o Arthur e o baterista de longa data, Renan Garcia, deixaram a banda para seguir os seus próprios rumos. Para os seus respectivos lugares, Lucas Guerra (vocal) e Andrew Lee (bateria) assumiram as funções e o Bullet Bane voltou a soar como Bullet Bane.

Após os lançamentos dos singles “Reta-Ação” e “Ponto de Vista” e uma live session, Lucas Guerras, Danilo Souza (guitarra), Fernando Uehara (guitarra), Rafael Goldin (baixo) e Andrew Lee lançaram o sétimo disco de inéditas. Intitulado “O AGORA QUE COBRA VIVER”, o álbum saiu no dia 29 de maio, em todas as plataformas de streaming, retomando a sonoridade voltada para o hardcore e post-hardcore da época do aclamado “Continental”.

Mas mais do que isso, o álbum também mostra um DNA da nova fase (e formação) do Bullet!

“Eu renasci das cinzas”

A frase gritada por Lucas, logo no início da faixa que abre o álbum (“Ecos da Memória”), poderia soar como uma indireta, o que é logo contrariado pelo fato de que algumas músicas da “Era Arthur” estão presentes no setlist dos recentes shows da banda. Então, o veredito é que “O AGORA QUE COBRA VIVER” olha para frente sem deixar de esquecer das suas histórias, afinal, o agora é fruto de ações do passado.

“O Bullet Bane é uma banda que passou por várias fases e nunca teve medo de mudar ou tentar coisas novas. A gente sente isso nos shows: tocamos músicas de um álbum e elas conectam com uma parte do público; depois, outra música conecta com outra galera”. Comentou Lucas em entrevista para a Billboard Brasil, que completou: “Nosso objetivo com esse disco era justamente juntar essas fases, entender onde está o DNA da banda e abraçar tudo isso em um único trabalho, para não ser só ‘mais uma fase’”.

“Ecos da Memória”, aliás, também sintetiza essa disposição de abordar texturas que estiveram presentes na discografia do Bullet, remetendo a dinâmica entre o Hardcore e Post-Hardcore presente no disco “Continental”. Para além disso, as camadas eletrônicas — no álbum, apenas pairando na superfície — também mostram que os últimos experimentos não foram deixados de lado.

A partir de “Decisão” (a melhor do disco e que poderia ser um pouquinho mais longa) é, ao meu ver, que a nova formação mostra a sua própria identidade, caminhando entre um Hardcore melódico com texturas de Metal Moderno, com os novos integrantes dando significativas contribuições. Nessa direção, faixas como “Uma Vida”, “Estranho” e “Reta-Ação” (faixa que inaugurou a formação com Lucas e Andrew) são os grandes êxitos de um grupo que tinha voltado para uma etapa de ter de se provar para si e para o seu próprio público.

“O AGORA QUE COBRA VIVER” ainda conta com a participação de Teco Martins (Rancore) na claustrofóbica “Mais um dia” e de Rodrigo Lima (Dead Fish) em “Paradoxo do progresso” — uma faixa bem “Dead Fishiana”.

A voz de Lucas se encaixou perfeitamente na nova roupagem da banda (além de cair bem nas músicas antigas), com a sua versatilidade; o groove de Lee deixou a sonoridade mais encorpada, estando em total sintonia com o baixo de Goldin; e a dupla de guitarra felizmente voltou para o protagonismo das músicas. Em pouco menos de um ano do anúncio oficial da nova formação do Bullet Bane, o quinteto conseguiu criar um entrosamento responsável por um lançamento sólido, mas que nem de longe está próximo do seu limite.

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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