Atualizado em: agosto 2, 2026 às 5:24 pm
Por Guilherme Costa
Recentemente uma amiga compartilhou a música “Cherry Pie”, do Warrant, em seu Instagram, me fazendo questionar como ela conhecia a música (já que ela não gosta muito de Hard Rock farofa). Ela me respondeu dizendo que descobriu a música na série Off Campus — um dos atuais grandes sucessos da Amazon. E não foi somente ela que descobriu o grande hit do grupo norte-americano através do seriado, com o guitarrista Erik Turner tendo abordado o crescimento dos números da banda nos streaming em entrevista para o Today, da Austrália:
“Normalmente, lançamos um vídeo ou algo assim, e talvez consiga 20, 40 mil reproduções. Estamos alcançando agora em torno de 2 milhões. Então, sim, é uma diferença enorme. Nosso Apple Music, nosso Spotify, tudo está bombando. Somos muito gratos, é ótimo que uma geração mais jovem esteja ouvindo nossa música.”
Mas não foi por isso que eu reouvi o segundo álbum de estúdio do Warrant. Na verdade, há um tempo eu voltei a época de adolescência e escutei um monte de bandas de Hard Rock oitentista (as Hair bands), como o Firehouse, XYZ, Danger Danger, LA Guns e o Warrant. E eu tive uma impressão muito diferente da minha primeira audição do álbum!
Lançado no dia 11 de setembro de 1990, “Cherry Pie” superou o sucesso da estreia (“Dirty Rotten Filthy Stinking Rich”) e se tornou o maior êxito da banda californiana, vendendo cerca de dois milhões de cópias apenas nos Estados Unidos. A faixa-título se tornou um hit instantâneo, sobretudo pelo sensual e divertido videoclipe protagonizado pela bela atriz Bobbie Brown.
Contudo, o disco não pode apenas ser resumido ao seu grande hit. Diferentemente do disco de estreia, que soa um pouco datado (sobretudo por pegar a reta final do auge do estilo), Jani Lane, Joey Allen, Erik Turner, Jerry Dixon e Steven Sweet, mostraram uma evolução no conteúdo lírico e flerta com o Hard Heavy em algumas faixas — como o Skid Row fez, num nível bem mais superior no “Slave To The Grind” — e outras tendo uma pitada de blues. Em menos de um ano, a evolução era clara.
Após a faixa-título e o seu clima de clube de stripper, semelhante ao que o Def Leppard fez com “Pour Some Sugar On Me”, a atmosfera fica meio “perigosa”. Com uma introdução de Bluegrass, a faixa “Uncle Tom’s Cabin” — que aborda uma história de duas pessoas que presenciaram um crime — logo explode em guitarras pesadas, para qualquer headbanger não iria hesitar em bater cabeça. Já em “Sure Feels Good To Me”, a estrutura é mais direta e reta, lembrando o sleaze rock dos dois primeiros álbuns do LA Guns. Lá para o final do álbum, “Mr. Rainmaker” pode até ser um Hard Heavy usual, mas não deixa de ser outra amostra de como o quinteto estava disposto a sair do clima festivo da estreia; ela foi a primeira música da banda que eu ouvi, lá pelos meus 15 anos de idade, e tem um grande riff de abertura.
As baladas também estão mais estruturadas. “I Saw Red”, que conta o episódio em que Lane viu a sua namorada com o seu amigo na cama o rendendo um colapso nervoso, é cheia de teclados, base mais cadenciada é o perfeito exemplo de como o Warrant já não pensava apenas em assuntos clichês. E nessa direção, “Song and Dance Man”, com a sua introdução acústica, reflete sobre os movimentos que a vida faz. Há também um pouco de Classic Rock na faixa cheia de piano “Love In Stereo”.
A história do fim de festa que a década de noventa proporcionou para as bandas de Hard Rock oitentista já é sabida. Algumas ainda provaram o gosto do sucesso, como foi o caso do Warrant em seus dois primeiros discos. Em meio a tentativas frustradas de adequação aos novos tempos, alguns grupos lançaram ótimos discos que foram injustiçados, como foi o caso do disco “Dog Eat Dog” (e de “Subhuman Race”, do Skid Row), o terceiro álbum do Warrant que bebeu na fonte Hard Heavy de “Cherry Pie”.
Bom, o ponto e o motivo desta resenha, é que o Warrant está sim no grupo de bandas que são e mostraram ser muito mais do que o estereótipo das bandas de Hair Metal, pelo trabalho realizado em “Cherry Pie” e “Dog Eat Dog”.





