Atualizado em: agosto 4, 2026 às 10:22 am
Por Guilherme Costa
Embora o universo do rock esteja longe de ser cem por cento respeitoso com o sexo feminino, onde muitas mulheres reclamam — com razão — da falta de espaço, respeito e reconhecimento do seu talento, é importante ressaltar que houve avanços nos espaços conquistados por ela. Hoje em dia, por exemplo, já não é tão raro surgir grupos femininos jovens; vide as Stonefield, Horsegirl e a Linda Lindas.
Lá na Noruega, Laura Dodson, Helena Olasveengen, June K. Urholt e Maja B. Berge , formaram o Veps na época da adolescência, lançando o EP “Open The Door” quando elas tinham apenas dezessete anos idade e o disco “Oslo Park”, ainda no início da vida adulta. Os trabalhos renderam amplo conhecimento na cena local e no exterior, com o quarteto realizando uma turnê como headliner pelo Reino Unido.
O Indie Rock jovial, com uma pitada de inocência e irreverência DIY, sobretudo no disco de estreia onde elas cantaram sobre uma “experiência extraterrestre” (“UFO”) e quando elas caíram na gandaia (“A Show of Hands”), impôs uma fácil assimilação devido a sua estrutura simples mas cativante. No álbum seguinte, “Dedicated To”, as meninas — um pouquinho mais velhas — entregaram um trabalho mais sóbrio e bem mais maduro, abordando desde relacionamentos abusivos (“Break & Entry”) a aventuras pelo Peru (“Greetings From Peru”), passando por situações familiares (“Apple Tree”) e agradecendo quem fez parte — de alguma forma — da construção do álbum.
Dois anos depois, agora com uma nova gravadora (PNKSLM Recording), elas estão ainda mais maduras em seu terceiro disco de inéditas, “ChurchyardStreet 8B”. Lançado no dia 29 de maio, o álbum segue as guitarras mais simples do Indie Rock, tendo uma pitada de Alt Rock e Power Pop, além de ter uma atmosfera mais austera do que os seus antecessores; como é o caso da dobradinha “What We Mean When We Say “Hello?”, um interlude de praticamente uma nota que se conecta com “Walking (My Black Dog)” — faixa com uma veia pop rock, tendo a presença marcante de um órgão de fundo.
O álbum até contém faixas que dialogam com os trabalhos anteriores, como é o caso das faixas “My Champagne Socialist” e “Payday”. Mas o grande destaque dos vinte e sete minutos de duração do álbum são as faixas que trazem novidades: seja as guitarras pesadas em “If Was A Mother”, as programações eletrônicas e o flerte com o alt rock da década de 90 em “Didgeridoo”, as camadas Post-Punk e Shoegaze de “Nice Guy” ou na solitária “At the Point”.
Estar em 2026 e acompanhar o terceiro lançamento do Veps é como presenciar o crescimento musical do grupo (já que eu as conheci logo no lançamento de “Oslo Park”), mesmo que eu esteja a 10.648 quilômetros de distância. “ChurchyardStreet 8B” segue a fórmula de faixas curtas e cativantes dos lançamentos anteriores do quarteto, mas há algo a mais aqui: há amadurecimento e autoconfiança para seguir firme na sua própria direção.





