A força do Ska Punk no underground brasileiro

No terceiro episódio da série (Sub)gênero em foco, é a vez de abordar como o estilo foi incorporado pelo Brasil

Atualizado em: agosto 20, 2026 às 8:04 am

Por Guilherme Costa

Há uma situação interessante sobre o Ska Punk no Brasil, no que diz respeito aos gêneros que estão em sua proximidade. Todos sabem que o Punk, Post-Punk e Hardcore foram absorvidos com enorme sucesso pelo nosso povo; do mainstream ao mainstream do underground e ao próprio underground, há uma quantidade enorme de bandas que conquistaram o status de ícone do estilo — seja cantando em inglês ou português — e que influenciaram e influenciam novas gerações.

No Reggae, um filho da Ska Music, também não foi diferente. O estilo rendeu grupos que chegaram ao grande sucesso comercial (Natiruts e Cidade Negra), outros que tiveram sucesso moderado mas que construíram uma grande base no seu próprio ecossistema (Planta e Raiz, Ponto de Equilíbrio…) e outros que também estão na cena underground e sendo tão respeitado quanto. O gênero jamaicano também chegou no topo com o Skank da país, ao ser fundido com o Rock.

A Ska Music, por sua vez, até pode ter sido o centro das atenções na década de 80 quando nos primeiros discos do Paralamas do Sucesso (para além da faixa “Ska”), mas nunca pegou com gosto. E isso aconteceu com o Ska Punk, se pensarmos apenas em aspectos comerciais — o auge do CPM 22 já tinha passado, quando o grupo se aventurou no Ska Punk no disco “Depois de Um Longo Inverno”. Contudo, para variar, no underground as coisas aconteceram de outra forma!

No anos 90, quando o pau da terceira geração do Ska (o Ska Punk como ficou mais conhecido) quebrava nos Estados Unidos, o Brasil ainda tinha o mainstream sendo frequentado por grupos de rock (Raimundos, Skank, O Rappa, entre outros). E na metade da década, o gênero jamaicano teve a sua parcela de “contribuintes” na mídia, com o Skamoondongos tendo o videoclipe da música “Pobre Plebeu” sendo bastante veiculado na MTV; a faixa está presente no álbum de estreia do grupo paulistano, “Segundo”, lançado em 1997, via Paradoxx Music.

Coletâneas de sucesso

O ano de 1997 marcou a estreia do Skamoondongos, do Skuba (“Churraskada”) e da coletânea Ska Brasil, também via Paradoxx. Esta última, foi um compilado que apresentou outros nomes como Boi Mamão e Mr. Rude. Mesmo com poucos nomes (quatro), o registro serviu para alçá-los na mídia e apresentá-los ao novo público — mesmo que isso tivesse os seus efeitos colaterais, como o Skamoondongos comentou em entrevista para o site Scream & Yell em 2023.

Três anos depois foi a vez da Radiola Records, gravadora independente, lançar a coletânea “Ska-Punk pra cacete!” nas antigas fitas K7. O registro contava com músicas de bandas como o Sapo Banjo, Os Thompsons, Randal Grave, Diabolik e Homesick, e foi bastante circulado entre a cena underground da época.

A terceira coletânea que ajudou a disseminar o punk/ hardcore com metais foi a “Skacetada Vol. 1”, lançada em 2003. O registro contava com as citadas Sapo Banjo e Os Thompsons, como também outros grupos importantes: Morlocks, Esquesito Somos, Follow the Eggs, entre outros.

Outros grandes grupos!

Talvez a banda que mais se aproxima do Ska Punk norte-americano da década de 90, cujas guitarras de Pop Punk foram somadas ao punk/ hardcore e Ska, é o Abraskadabra. Oriundo de Curitiba, Paraná, o sexteto lançou quatro discos de inéditas (sendo o mais recente “Pack Your Bags”, que esteve entre os Melhores do Ano do Um Outro Lado da Música de 2025).

Formado em 2003, o disco de estreia (“Grandma Nancy’s Old School Garden”) só saiu em 2012. Os sucessores, “Welcome” e “Make Yourself at Home”, fizeram com que a banda rodasse o país e o exterior, em turnês pelos Estados Unidos, Japão e Europa. Certamente um dos primeiros nomes que nos vem à mente, quando pensamos em Ska Punk brasileiro!

Além dos curitibanos, o Brasil viu o surgimento de outras bandas que caminharam pela sonoridade do Punk do Clash (como O Leopardo) ou por misturar um monte de sons, incluindo a Ska Music (como o Móveis Coloniais de Acaju).

Se as atividades na década de 90 e início dos anos 2000 serviu como uma espécie de apresentação, a terceira década do século 21 mantém o Ska Punk como uma saída para a expressão de arte — sobretudo no nosso undergound!

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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