Atualizado em: agosto 29, 2026 às 12:58 pm
Chegamos à última semana do infinito agosto com vários motivos para comemorar – além, é claro, do fechamento do mês. São eles: diferentes discos e EPs lançados nos últimos dias. Se liga em alguns deles na nossa seleção de Destaques da Semana:
Misticismo, pop rock e disco novo
O Projeto Hare abriu a semana lançando seu novo disco “São Cristóvão” em plena segunda-feira (24). O novo compilado do grupo gaúcho apresenta uma abordagem bem diferente do antecessor “O Coração É Um Fardo Pesado” e reúne 13 novas faixas.
As músicas mesclam referências locais com temas sentimentais e momentos de misticismo abordados com criatividade. Aqui, o som deles também cresce no rock alternativo com ganchos pop.
A confessional “Noites Mofadas” é uma das melhores músicas do compilado ao lado da animada “Quem Me Conhece Sabe” e do single “O Cão Mais Fiel do Mundo”. Outros nomes de destaque são os feats “Rainha Má” com vocais emprestados do Bella e o Olmo da Bruxa e “Não Vai Ter Natal”, com Théo Fetter.
Emo progressivo e matemático
Recentemente, encontrei uma banda única que fez meu cérebro explodir por alguns minutos. Falo especificamente do Hömage, um grupo de Indianopolis (Estados Unidos), que combina elementos de math rock, progressivo com certo espírito post-hardcore.
O som deles é completamente diferente, unindo partes complexas com uma alma emo em um casamento que chegou a me lembrar, de forma mais organizada, bons momentos da banda Fall of Troy.
Na terça-feira (25), eles lançaram “Archipelago” como EP de estreia de forma independente e mostraram que sempre dá para expandir qualquer limite sonoro. Destaque especial para “Cyclical” e a instrumental “Beneath the Loveliest Tints of Azure”, que se junta a outras duas músicas.
Varanda retorna com seu onírico álbum
O grupo mineiro Varanda alcançou um grande público com seu disco de estreia “Beirada” (2024), que foi complementado pelo ótimo EP “Rebarba” no ano passado. Neste ano, eles provam que miram voos ainda mais altos com o segundo disco de estúdio.
“às vezes um sonho…” saiu na última sexta-feira (28) pelo Selo Sesc Minas Musical e é um dos trabalhos mais interessantes do cenário brasileiro de música em 2026.
Tudo isso, fazendo um movimento intimista e poético que une sonoridades de rock alternativo, MPB e dreampop com sintetizadores.
O novo disco soa de forma impecável, e traz músicas que vão tocar forte no peito, como o single “Anjo de Papel” e a indie “Flecha”. Dentre outras músicas, o feat “Sereno” com a conterrânea Fernanda Takai é outro ótimo nome.
Mastodon se reinventa e lança mais uma obra prima
E já que estamos falando de melhores discos do ano, não podemos deixar de citar o novo disco de estúdio do Mastodon – “Marrow Deep”, lançado também na sexta-feira.
O trabalho é o primeiro lançado após as primeiras mudanças na formação do grupo em mais de 20 anos de carreira e oficializa a presença do brasileiro João Nogueira (Rasta) nos teclados e do canadense Nick Johnston na guitarra – que, aliás, trouxeram uma revitalização psicodélica interessante.
O Mastodon é uma banda que consegue trazer temas delicados e, geralmente, trágicos como conceito principal de seus discos. Foi assim com seu premiado “Emperor of Sand” (2017), que divaga sobre a mortalidade e o câncer e com o seminal “Crack the Skye” (2009).
“Marrow Deep” dialoga diretamente com ambos os trabalhos; sonoramente com o primeiro, e em parte do luto que também marcou o trabalho de 2009. Afinal, é um disco que ainda fala sobre a relação perdida com o guitarrista Brent Hinds, que infelizmente veio a falecer no ano passado.
“Your Ghost Again” é uma menção direta a isso, assim como a seminal e sabbástica “Vanishing”. Duas músicas, aliás, muito boas que se juntam a “In the Ruins”, “Barbarians Blood” e “They’re Coming For You” na lista das melhores – que eu prefiro limitar aqui para não acabar citar todas….
O compilado ainda traz Josh Homme (Queens of the Stone Age) na genial “Snakes for Dinner” e conta com participações especiais de membros de Converge, Gojira, Clutch e Lamb of God de forma mais sutil.





