Atualizado em: setembro 1, 2026 às 9:10 am
Por Guilherme Costa
Há um fato interessante sobre grupos femininos de música pop (os masculinos, também) que é a vida após o sucesso — sobretudo quem não estava no centro das atenções. Qual foi a atividade de Carmit Bachar, Ashley Roberts, Jessica Sutta, Melody Thornton e Kimberly Wyatt, após o fim das Pussycat Dolls? E a Michelle Williams, das Destiny Child? A Kelly Rowland, ainda lançou algumas coisas de sucesso, eu me lembro. Enfim, perguntas que podem se estender para tantos outros grupos: Fifth Harmony e Little Mix, por exemplo.
Aliás, todos esses nomes citados certamente foram influenciados pelo furacão das Spice Girls, um dos grandes sucessos da música pop surgidos na metade da década de 90 — a versão feminina para as boybands. Formado por Emma Bunton, Mel B, Mel C, Geri Halliwell e Victoria Beckham, elas embalaram, agitaram, cativaram e moldaram o caráter de jovens meninas através do seu “Girl Power” e os seus hits (“Wannabe”, “Say You’ll Be There”…). Elas cantavam, dançavam, eram lindas e descoladas!
Mas o que ocorreu com elas após a separação do grupo em 2000? Victoria Beckham já era casada com o ícone do Manchester United e da seleção inglesa e virou uma máquina publicitária e uma estilista de respeito; Emma Bunton lançou o hit — muito popular por aqui — “What Took You So Long?”, emendou três discos em seis anos e viveu no mundo do entretenimento; Mel B e Geri (que saiu antes do primeiro fim do grupo) lançaram alguns discos e também viveram no mundo do entretenimento.
Coube a Melanie C a missão de ter um trabalho mais ativo dentro da música. Desde 1999, quando a Sporty Spice estreou a carreira solo com o sucesso “Northern Star”, a artista construiu uma discografia com nove álbuns de estúdio, dois EPs e um ao vivo. O mais recente é o álbum “Sweat”, lançado no dia 1 de maio, via Red Girl, dando a certeza que seguir com a sua carreira solo foi o melhor presente que os fãs poderiam receber.
Em “Sweat” não há nada além de celebrar a saúde, o bem estar físico e mental, a autoestima e qualquer outro motivo escapista para se desligar do mundo cruel que vivemos — e, convenhamos, todo mundo gosta de uma dose de escapismo. A cantora comentou sobre, numa entrevista para a rádio wlrn:
“É isso que eu mais amo na cultura clubber. Todos nós trabalhamos muito, e é uma ótima maneira de extravasar. Acho que os seres humanos precisam de válvula de escape. E para mim, a música sempre me proporcionou isso. Então, me sinto muito bem em lançar um álbum animado, divertido e que não se leva muito a sério”.
A predileção pela música eletrônica não é nenhuma novidade, afinal, ela é DJ. O seu nono álbum, então, marca outra etapa de uma trajetória iniciada em 2016 com “Version Of Me” — registro que marcou a mudança do Pop Rock para o Synthpop, e que teve sequência no autointitulado disco de 2020. Para o seu nono lançamento completo, a cultura rave é o que dita o tom do álbum numa coleção de faixas que caminha pelo Nu Disco, House e Dance Music.
“I’ll make you, I’ll make you sweat”
“Sweat” começa com a faixa de mesmo nome, que serve como uma ordem para você se levantar e começar a exercitar, numa típica música de um clássico da Nu Disco, até por usar samples de “Work That Body”, da Diana Ross: “Mantenha os olhos em mim/ Acelere, devagar/ Faça seu coração bombear/ Eu vou te fazer, eu vou te fazer suar/ Foco físico/ Peso corporal, segure/ Sinta a queimação/ Eu vou te fazer, eu vou te fazer suar”.
Os beats seguem fortes e hipnotizantes nas faixas “Pressure”, “Free To Love” e, principalmente, em “Flick Of The Wrist”, onde beat e a envolvente voz de Melanie transforma a música, que aborda um ex-namorado já superado, propícia dos momentos mais quentes de uma balada. Embora haja uma tendência em resumir a música eletrônica na EDM, “Sweat”, como a própria cantora comentou, aborda várias facetas da música eletrônica.
E abordagens retrô — seja da disco music ou da sua versão eletrônica dos anos 2000 —, é o que mais há no álbum, com o êxito nas faixas “Atitude” e “Good For Nothing”, onde o groove de baixo e guitarras podem ser sentidos em cada momento da suas respectivas durações. Em “Cashmere”, as texturas utilizadas remetem ao pop alternativo (ou nem tanto assim, já que até a Madonna também pendeu para este lado) do fim da década de 90.
Mesmo que o fio do disco seja curtir, estar bem e se autoexaltar, “Sweat” também mostra um lado vulnerável da cantora em “Til It Breaks”, numa coleção de camadas de New Wave oitentista, onde ela questiona “quanto um coração pode aguentar até que quebre?”; ou em “Emotional Memory”, cujo refrão não está entre os pontos do álbum, onde ela expõe o seu ponto fraco (“teimoso, mas o coração tomou conta/ Não consigo ouvir o anjo no meu ombro/ Acho que vou contra meu melhor julgamento”).
“Sweat” cumpre bem o papel em criar músicas propícias para esquecer dos problemas da vida e gastar energia através da dança.
No auge da performance Sporty Spice, Melanie C não apenas mostra que está em sua plena forma física e mental (além de estar com a voz em dia), em outro bom capítulo em sua sólida carreira solo. Sendo a única das Spice Girls a seguir, realmente, no mundo da música, ela não deixa dúvidas de que essa foi a sua melhor escolha!





