Atualizado em: setembro 13, 2026 às 9:05 pm
Por Guilherme Costa
O apelo ao Pop Latino no Brasil aumentou bastante nos últimos anos, com os hits radiofônicos de Luis Fonsi (“Despacito”), Maluma, Karol G, Bad Bunny e o Reggaeton, no geral. Embora a música dos países latino-americanos não estejam próximo da sua conexão total, para além dos recentes hits de sucesso no país terem uma roupagem próxima do pop norte-americano, é inegável que já não é muito difícil conhecer um artista colombiano, por exemplo, devido a facilidade dos streamings a adesão do público ao ritmo.
Mas antes de tudo isso, a mexicana Julieta Venegas já fazia sucesso aqui no Brasil, realizando shows pelo país (e não somente em São Paulo) e parcerias com consagrados artistas brasileiros, como Marisa Monte e Lenine, com o seu pop cantado em espanhol. Com influências da música local e o seu acordeom, Venegas chega ao seu oitavo disco de inéditas relembrando das suas raízes mexicanas e oferecendo palavras de conforto para quem vive as mazelas do seu país natal.
“Norteña” saiu no dia 14 de maio, via Altafonte, quatro anos após o lançamento de “Tu Historia” — que esteve entre os Melhores do Ano do Um Outro Lado da Música de 2022 —, tendo as participações de Natalia Lafourcade, Yahritza Y Su Esencia, Bronco, El David Aguilar, Meme Del Real e Ruzzi. Com a produção ficando à cargo da própria musicista, o álbum deixa o pop mais universal do seu antecessor e mergulha nas raízes de Tijuana, sua cidade de origem.
“Foi um projeto que comecei por sentir saudades da minha família e do México, já que morava em Buenos Aires. Morei lá por oito anos. Estando lá, não percebi de início que, na verdade, estava apenas tentando criar um pequeno espaço onde pudesse pensar sobre essa música e sobre essas paisagens — a paisagem do Norte , sabe? Sempre pensei em talvez escrever algum tipo de livro de memórias”. Declarou a artista em entrevista ao portal NPR.
E ele começa de forma singela com “Tiempos Dourados”, onde Venegas anseia por dias mais ordinários, onde as preocupações não estão baseadas em questões de sobrevivência (“Que voltem os tempos dourados/ Os doces futuros que tanto sonhamos/ Que volte o mistério e o tédio/ O não saber de nada, o não saber de nada”), numa faixa cheia de violões, requinto (um instrumento semelhante ao cavaquinho) e instrumentos de sopro.
“Tengo Que Contarte”, inaugura as participações especiais presentes no álbum. A cantora Natalia Lafourcade se junta à Venegas para celebrar o apoio de uma amizade feminina, enquanto a parte instrumental se expande num universo cheio de camadas de sopros (clarinete, tuba, saxofone, flauta, trompete…); “La Línea”, que vem logo na sequência, conta com a participação de Yahritza Y Su Esencia, e tem uma roupagem pop mais comum da carreira da cantora. A cumbia toma conta do álbum na dançante e agridoce “Volver a Ti”, cuja atmosfera é agraciada com a participação do Bronco — influente grupo mexicano.
Entre as palavras de lamento e conforto, Venegas também faz questão de reafirmar o caráter do povo de Tijuana, considerada uma das cidades mais perigosas do mundo, em “Leyendas de Tijuana”, onde a cantora canta “lendas de Tijuana me perseguem/ lendas de Tijuana não definem o que você é” e caminha entre um pop contemporâneo e as texturas mais folclóricas. E há espaços para muitos gêneros em “Norteña”, que além das músicas com ritmos mexicanos (latinos, no geral), tem um pouco de valsa (“Esquina del Mar”) e bluegrass (“Terca”).
Se o álbum inicia com uma nostalgia agridoce, ele encerra com celebração. “Te Celebramos” é uma um jazz no estilo brass band, onde Venegas celebra a sua figura paterna e encerra os altos e baixos de ter de deixar a sua terra em busca de um grande sonho sem deixar de carregar e/ ou se esquecer das suas raízes, narradas em seu oitavo disco de inéditas. Para além da sua musicalidade, “Norteña” é uma joia e outra prova do quão grande Julieta Venegas é!





