Atualizado em: setembro 13, 2026 às 6:37 pm
Por Guilherme Costa
A memória é uma coisa interessante. Você está em casa, não fazendo nada de muito produtivo, até que se lembra de um videoclipe que passava bastante na MTV. Entre os anos de 2005 e 2006, “Bom Bom Bom”, hit do Living Things, foi passado a esmo na programação da MTV — à época, o maior local onde os jovens se conectavam com música e clipes.
Lembro-me que eu não gostei muito da música, cheia de riffs stonianos e do videoclipe animado e cheio de animais. Mas a visão de um garoto de doze anos de idade não refletiu no mundo e a faixa se tornou uma febre tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos (o país de origem do quarteto), alavancando as vendas do segundo disco do grupo, “Ahead Of The Lions”; “Bom Bom Bom”, por sua vez, chegou a 21ª posição da Billboard Alternative Songs, sonorizou comerciais, jogos de videogames e esteva na terceira temporada de O.C.: Um Estranho no Paraíso.
Para finalizar, a banda se apresentou na edição de 2006 do VMB, ocorrido em setembro daquele ano, executando o seu grande sucesso. Para além do fato do grupo ter sido a primeira atração internacional da premiação brasileira, o show também se notabilizou pelo vocalista Lillian Berlin ter queimado uma foto do então presidente dos EUA, George W. Bush.
Tantas linhas para descrever uma banda que esteve na trilha da minha adolescência e que parecia ser o próximo grande fenômeno do rock mundial. Bom, é possível presumir a história pelo título desta resenha. A banda não engrenou.
Formado por Lillian (vocal), Eve (baixo) e Bosh Berlin (bateria) e o guitarrista Cory Becker, o Living Things lançou o seu disco de estreia (“Black Skies in Broad Daylight”) em 2004, via DreamWorks Records, contando com a produção do lendário Steve Albini. Pouco menos de um ano depois, o quarteto estava de volta com um novo disco, mas com várias das faixas presentes no debut — e ainda contando com Albini na produção — e outras composições novas (como “Bom Bom Bom”, por exemplo).
Outro clipe que teve uma vinculação considerável na Music Television Brasil foi a do single “Bombs Below”. Ao contrário da supracitada “Bom Bom Bom”, essa música me cativou logo de início com o seu visual meio opaco e sombrio, pela figura meio Jagger e David Johansen (New York Dolls) de Lillian Berlin , além de ser um Hard Rock muito potente e cru. O single, no entanto, não consegui repetir o sucesso do single antecessor.
E, por mais que o Living Thing era apontado como Punk Rock — até por causa do seu conteúdo lírico —, havia muito de Hard Rock e o rock and roll jovial que o Vines e o Jet (“Are You Gonna Be My Girl”) faziam! Se você duvida, basta ouvir a faixa “I Owe” para entender essa minha conclusão.
Pensando em retrospecto, na verdade, pensando com a cabeça de 2026, talvez fosse um grande exagero colocar a banda como um fenômeno punk rock ou a responsável por trazer o perigo para o rock roll, já que “Ahead Of The Lions” é recheado por músicas com groove, cadência e um certo apelo pop — além da voz de Lillian ser um tanto quanto polida —, como em “New Year”, a glam “God Made Hate” e a baladinha “Keep It Til’ You Fold”.
Quando ele explode, é nas guitarras raivosas de Becker, que traz riffs básicos mas clássicos o suficiente para qualquer roqueiro entrar em combustão, e na base sólida dos irmãos Berlin. E aí eu destaco “End Gospel”, “On All Fours”, além das mais grunges “March In Daylight” e “I Wish The Best For You”.
No fim, a banda só lançou um outro álbum de inéditas em 2009 (“Habeas Corpus”) e um EP em 2020 (“Shapeshifter”), quando o grupo encerrou o hiato iniciado em 2011. O segundo disco do Living Things colocou o grupo na sessão de bandas que não conseguiram repetir o sucesso no disco seguinte, mas não apagando o sucesso de “Bom Bom Bom” e a qualidade de “Ahead Of The Lions” que, vinte e um anos depois, ainda é lembrado!





