Atualizado em: fevereiro 9, 2026 às 7:08 am
Por Guilherme Costa
Eu conheci o Color For Shane quando eu fui no show dos amigos do In The Rosemary Dreams em 2024, lá no Cafundó (casa de shows localizada no bairro de Pinheiros, São Paulo). O trio, atualmente formado por Rafael Pires, Rafael Coelho e Marlon Miranda (que assumiu a bateria no estágio final da gravação do recente álbum), fechou a àquela noite chamando a minha atenção logo na primeira faixa.
O som tinha uma pegada stoner que, ao conferir mais atentamente os álbuns do trio, ainda me causou a sensação de ter um quê de Indie Rock, embora eles se autointitulam Garage Lo-Fi.
Bom, definições à parte, a grande notícia é que o Color For Shane lançou o seu quarto disco de inéditas, “Um Milhão de Coisas”, no dia 29 de janeiro — três anos após o arrasa-quarteirão, “End”. A promoção do álbum não contou com os costumeiros singles promocionais, guardando a grande surpresa para o momento que Rafael Pires cantasse o primeiro verso… em português. Um passo significativo na história da banda!
Confesso que rolou um estranhamento quando eu ouvi “Mofo”, faixa que abre o disco — embora os pesados riffs de guitarras que estão nela são reconhecíveis para qualquer fã da banda. Já na segunda/ terceira audição, o estranhamento já não estava tão presente; e a música que vem em seguida, “Hi-Fi”, cuja linha de guitarra tem um apelo melódico que mostra que as letras em português não são as únicas novidades presentes em “Um Milhão de Coisas”.
O Stoner fica mais nítido em “Instável”, cujo timbre das guitarras estão bem Queens of The Stone Age, enquanto Rafael Pires mostra sucesso na adaptação para o canto em português (algo que não é fácil). Sua voz está dramática, melancólica e agoniante, impulsionando a atmosfera densa do álbum que, em “Luto”, ganha tons fúnebres com o seu baixo “sabbático” e riffs potentes de guitarra.
Entre algumas roupagens, as faixas que oferecem algo mais pesado e rápido são “Sofá” e a meio Post-Punk “Eu Não Posso Me Ouvir”, enquanto “Antes das Quatro” conta com uma cadência que dialoga com alguns trabalhos anteriores. Mas o álbum nasceu para ser diferente, e não tem como não colocar “Comercial” e “Absurdos (Eu Sou Uma Coleção de Insultos)” — esta última com um riff que se aproxima do Shoegaze — entre os pontos altos do álbum (junto com as já citadas “Hi-Fi” e “Luto”).
Com temas introspectivos e densos, “Um Milhão de Coisas” soa como um diário de alguém tentando sair do fundo do poço. Curiosamente, é mudando um pouco a roupagem que tal escapismo é concebido, sendo um passo ousado para uma das bandas mais interessantes do underground brasileiro.





