Imagem da cantora Melissa Bonny

Melissa Bonny tem uma estreia solo de altos e baixos em “Cherry Red Apocalypse”

O disco solo da vocalista do Ad Infinitum passeia por diversos estilos, caindo na armadilha do "disco diverso"

Atualizado em: fevereiro 17, 2026 às 4:23 pm

Por Guilherme Costa

Um dos grandes nomes da nova geração do Symphonic Metal está em Montreux, Suíça. O Ad Infinitum, banda fundada e liderada pela vocalista Melissa Bonny, ganhou fãs ao dar um toque moderno ao metal sinfônico ao longo dos seus três primeiros discos de inéditas: “Chapter I: Monarchy”, “Chapter II: Legacy” e “Chapter III: Downfall”.

Ela também ficou em evidência ao formar o grupo The Dark Side of the Moon — banda que regrava trilhas sonoras de cinema com uma roupagem metal — e, entre tantas colaborações especiais, participar do Kamelot. Uma estrela em ascensão, cujo passo seguinte seguiu a lógica: um álbum solo!

“Cherry Red Apocalypse” saiu no dia 23 de janeiro, de forma independente, e mostrou a cantora suíça sem amarras quanto ao fio condutor do álbum, tal como um projeto paralelo permite. O álbum contou com a participação dos músicos Morten Løwe Sørensen (bateria), Vikram Shankar (teclado) e Korbinian Benedict (baixo), com as cantoras Adrienne Cowan (Seven Spires) e Fabienne Erni (Eluveitie e Illumishade) também marcando presença.

A companhia de um time de respeito e conhecidos da cantora, no entanto, não foi o suficiente para criar um disco totalmente coeso. Há qualidade, claro. Mas o álbum peca por faixas que parecem terem sido criadas no modo automático e outras que destoam demais do que foi feito.

Se em “Surrender” (música do Ad Infinitum), a cantora flertou — em muito — com a música Pop, em seu álbum solo ela não teve o menor receio de mergulhar nesse seu lado artístico. “I’m a Monster” foi a primeira prévia do álbum, sendo liberada 14 de agosto, e é também a responsável por abrir o disco; aqui, a junção entre o que tem sido compreendido como “Metal Moderno” — e os efeitos eletrônicos que vem com tal definição — se funde com uma veia pop muito palpável e até condizente com o que poderíamos esperar da musicista.

É a partir da segunda faixa que o disco vive uma montanha-russa de estilos e, podemos dizer, instabilidade qualitativa. “Snake Bite”, que conta com a participação da japonesa Yu Umehara, segue com o Metal sendo sustentada por uma base Metal, cuja potência é perdida com um refrão — no mínimo — comum. Já “Devil On My Tongue”, que começa com uma guitarra clichê, tem a explosão do seu refrão como o seu ponto forte.

Com três apenas músicas, “Cherry Red Apocalypse”, já havia dado provas de que o disco estaria em constante movimento. E aí começa os problemas.

Embora eu não pense que a estética de “I´m a Monster” deveria ser replicada durante o álbum todo, e a faixa-título e “Highs and Lows” (faixas pops que funcionam bem e estão de acordo com a proposta do álbum) estão aí para apoiar a minha sensação, o disco perde em qualidade quando surge o Pop Punk de “Afterglow” ou com a intenção (ou não) de emular “Glory Box”, do Portishead, em “The Teeth Of My Thieves”. O ponto mais baixo, é o pop oitentista de “I Don’t Like You”, cuja boa e funkeada linha de baixo não é suficiente para tornar a faixa menos deslocada em “Cherry Red Apocalypse”.

“Oh No!” coloca o disco, novamente, na direção do Rock enérgico da sua primeira parte de uma honesta, enquanto “Mama, Let Me Go” soa como uma balada comum. Já que “Cherry Red Apocalypse” nunca teve a pretensão de se prender a uma única textura, “Snow on Mars” encerra o disco cheia de camadas eletrônicas dando toques oníricos na faixa, soando do remix de “Apologize” que o rapper e produtor Timbaland fez do One Republic; curiosamente, eu achei essa música muito mais forte e dentro da dinâmica do álbum do que algumas outras.

Como o seu primeiro disco solo, Melissa Bonny não teve o pensamento de se conter, deixando aflorar todas as vontades de seguir diversos caminhos. Embora ela tenha caído em certas armadilhas, não dá para dizer que “Cherry Red Apocalypse” é um disco ruim; afinal, temos “I’m a Monster”, “Highs and Lows” e “Snow on Mars” para apreciar. O que não mudou, foi a qualidade e versatilidade da grande voz que a suíça possui.

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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