Imagem dos integrantes da banda A Virgo

Um Outro Lado Entrevista – A Virgo

Na última quinta-feira (29), o A Virgo fez a sua estreia na capital paulistana para apresentar o seu recente álbum de inéditas. E eu aproveitei para conversar com os guri!

Atualizado em: fevereiro 3, 2026 às 1:43 pm

Por Guilherme Costa

Em 2020, no auge da pandemia da COVID-19, diversos artistas viram as suas respectivas agendas de shows serem adiadas e, posteriormente, canceladas. Quem não tinha agenda de show, mas tinha planos de lançamento de um disco, também foi afetado. Se recolher num home studio foi uma saída e diversos trabalhos saíram sem a perspectiva de ser apresentada (ao vivo) ao público.

O grupo de Novo Hamburgo, A Virgo, não fugiu desse cenário quando lançou o álbum de estreia, “Sofá 7”, em julho de 2020. Cinco anos depois, após lançar o seu segundo álbum (“Dois Verões ou A Viagem de Sífero”), Rafael Decarli (vocal e guitarra), Guilherme “Nino” Moraes (bateria), Patrick Bruxel (baixo) e Victor “Vitinho” Tavares (guitarra) não tiveram dúvidas e caíram na estrada para promover o novo lançamento e tocar algumas das músicas do primeiro lançamento que eles gostam

“A gente começa [o show] com o álbum anterior, e vai somando com as outras músicas [do novo álbum], porque são as músicas que a gente gosta muito de tocar também e seguimos tocando. E a galera curte também.” Declarou Vitinho.

Aproveitando a vinda do coletivo O Som de RS para São Paulo — que rendeu diversas apresentações na sede da Mídia Ninja, bem como outros shows solos, como foi o caso do Supervão — o A Virgo subiu do sul para o sudeste tocando em algumas cidades do interior do Paraná e São Paulo — além da capital paulistana.

Em São Paulo, o quarteto se apresentou no Fffront, conhecido bar localizado na região da Vila Madalena, junto (literalmente) com o Zilladxg e com o Caio Colasante (Os Fonsecas). Eu estive lá para ver o show, e aproveitei para conversar com Rafa, Patrick, Vitinho e o Zilladxg, sobre a recente turnê, o novo álbum, vida na estrada e a parceria com o Zilla.

Confira:

 

A VIrgo, no Fffront

Vocês começaram 2025 com tudo, emendando seis shows em janeiro. Qual é o saldo dessa mini tour até aqui e qual é a expectativa para tocar em São Paulo pela primeira vez?

Rafa: Mano, assim, até agora o saldo é muito positivo. A gente tocou em vários lugares que a gente fez numa outra tour em agosto, né? E a gente teve a oportunidade de voltar pra vários lugares que a gente fez em agosto. E isso pra gente é perfeito, porque a gente cativou um público ali. O pessoal foi de novo [aos outros shows]. Já curtiu de novo. Então, pra gente o saldo é extremamente positivo. A gente tocou em Paranavaí, Londrina, Maringá, Curitiba e Presidente Prudente, que a gente não tinha feito ainda e que foi muito legal também. E agora estamos aqui em São Paulo fazendo esse daqui e dois outros [shows]. Depois vamos pra Balneário Camboriú e vamos pra Floripa. Então, é um sonho, né? Basicamente um sonho dos nossos pais.

E a gente estava comentando em off, em relação ao show de Presidente Prudente. Vocês podem comentar um pouco como foi o show. Eu vi que foi num parque — meio que no nada.

Patrick: Cara, então, a galera lá em Presidente Prudente é muito “do yourself”. Eles fazem com a mão a parada. Estávamos [nos] contando que não tem muito rolê pra dar, mas tem uma cena forte: músico, artista, teatro… um monte de coisa, assim!

E eles se reúnem nesse som na linha pra fazer show, pra fazer evento de teatro, palhaçaria. Essas paradas tudo! E é um barato de ver, porque é uma galera carregando um monte de coisa. A gente estava lá e pensamos que ia chover. Não choveu. Era uma terça-feira e, cara, e deu um pessoal. Foi massa. A galera [foi] pra ouvir o som, pra conhecer, trocar ideia. Foi bem do caralho!

O disco de estreia do grupo foi lançado em 2020, no ápice da pandemia. Com o novo disco sendo lançado num momento propício para shows, vocês acham que isso é um combustível para cair na estrada?

Rafa: Mano, deu bastante. Tem toda a questão de a gente ter lançado o álbum, e a gente querer que as pessoas ouçam o álbum, né. E não tem como a gente divulgar melhor, numa era de meta e várias outras grandes indústrias de redes sociais. Então, a gente consegue fazer o negócio do jeito que a gente consegue. E o jeito que a gente consegue é indo pra rua, tocando, fazendo, mostrando pro pessoal. Fazendo as pessoas entenderem que tem banda legal em todos os lugares do Brasil. E dizer que a gente talvez seja uma. Que as pessoas gostem, talvez!

E tendo um segundo disco na pista, como vocês montam o setlist? Claro que há a prioridade para o novo álbum, mas há coisas do “Sofá 7” que vocês acham que não dá para deixar de fora do set?

Vitinho: “Puma Blue” não pode faltar. “Camel Blue” também é outra que a gente sempre toca. “Não Sente” e “Insônia”, que a gente une duas músicas numa só.

E aí a gente começa [o show] com o álbum anterior, e vai somando com as outras músicas [do novo álbum], porque são as músicas que a gente gosta muito de tocar também e seguimos tocando. E a galera curte também.

Patrick: E esse é o barato também, de estar nesse circuito que a gente tá. De circular da forma que a gente faz, que a gente toca o que a gente gosta. A gente gravou o disco e tal, quer divulgar ele, mas também tem muita música boa do outro [álbum], que a gente gosta de tocar. E se divertir de tocar. E daí vamos pra rua e fazer o que a gente gosta de fazer.

Rafa: A gente se baseia também muito pelo que a gente gosta de ouvir, enquanto tá tocando. Se a gente tocou alguma que a gente não pilhou tanto, a gente tira e a gente faz outra. É bem nessa onda.

Falando sobre o novo disco, “Dois Verões ou A Viagem de Sífero”, eu acho ele — em relação ao “Sofá 7” — mais cru, mesmo que tenha várias camadas [eletrônicas]. Mas acho que as texturas são bem diferentes em relação ao “Sofá 7”, que é uma coisa meio Glue Trip (pra usar um comparativo). Vocês acham isso também? Acham que é um álbum um pouquinho mais truncado? Mais “sério” do que o “Sofá 7”, que é um pouco mais solar?

Rafa: Com certeza!

Eu acho que são duas formas de psicodelia diferente pra gente. A primeira, do “Sofá 7”, é uma forma de psicodelia mais abrangente e social. Uma coisa de viver vários núcleos, viver várias experiências. E a “Viagem de Sífero” é uma questão mais pessoal e mental. Uma psicodelia mental. E talvez até de se situar no mundo. Então a gente entende muito desse jeito!

Tem também toda a questão de que o primeiro álbum foi feito só por mim. Foi só eu tocando tudo e escrevendo tudo. [Já] o “Dois Verões ou A Viagem de Sífero” foi feito por todo mundo. Então ele tem essa questão mais crua mesmo, da gente ter gravado todo mundo junto e não precisar tanto de eu interferir sozinho nas coisas.

A gente pôde juntar tudo e fazer tudo uma grande loucura. E isso foi o maior barato desse último álbum que a gente conseguiu. Desenvolver uma coisa coletiva, mesmo que os temas sejam pessoais e mentais. É uma coisa coletiva.

O “dois verões…” é um álbum de faixas distintas, e isso pode cair numa armadilha do disco ser apenas uma coleção de músicas aleatórias. Então, como foi o processo de produção e como vocês trabalharam para colocarem essas músicas distintas num mesmo universo?

Rafa: Eu acho que o principal é [o fato de] que a gente é uma banda independente. Então a gente organiza as nossas próprias coisas, as nossas próprias agendas de shows, as nossas próprias agendas de gravação. E dentro disso, a gente tem toda a liberdade que uma banda independente tem, que é de fazer o que ela quer fazer. Porque não adianta de nada a gente ser uma banda independente e fazer a coisa que todo mundo faz. Não adianta de nada a gente fazer uma coisa e só repetir ela para sempre. Então a gente quer explorar, mesmo, vários pontos diferentes, várias estéticas diferentes e trazer tudo isso junto. Porque apesar dele ser um álbum muito plural e ter vários estilos e várias opções diferentes de som, para a gente ele é uma unidade; ele carrega toda essa unidade. E é justamente essa coletividade que a gente trouxe para fazer ele. E é isso! São as peripécias da gente ser uma banda independente.

Patrick: Ele tem uma coesão muito grande, dentro da força motriz que fez a gente fazer isso. A gente passou muito tempo junto. Um ano e meio fazendo isso, e a gente estava junto não todo dia, mas muitos dias por semana. Então isso acaba refletindo no trampo final. Ele tem essa questão de que em algum lugar vai aparecer uma concha de retalho, só que ela se completa.

Então rola uma parada que atravessa todas as músicas, que é uma coisa que eu particularmente acho um barato, que tu vê tudo de todo mundo ali dentro. E eu acho que essa questão de tu ver tudo de todo mundo acaba identificando a gente enquanto um grupo, enquanto um coletivo de músicos e fazer, como o Rafa falou, uma das coisas mais importantes, como uma expressão que a gente usa: “não liga pra nada”. A gente fez o que a gente queria fazer. Do jeito que a gente queria fazer. Da forma que deu para a gente fazer. E ficamos felizes para caralho com o resultado. Porque é isso. A primeira coisa para mim e para todo mundo era fazer algo que nós mesmos gostássemos, que os nossos amigos gostassem. E a gente conseguiu fazer isso!

E é muito importante para a gente e para os nossos. E a verdade disso está se refletindo nessa caminhada que a gente está fazendo.

Por falar em faixa distinta, “fim dos tempos” talvez seja a mais original do álbum, por caminhar entre um prog/ psicodélico, drum n bass e hip hop. Como surgiu a composição da faixa e a ideia da parceria com o Zilladxg?

Zilladxg: Eu conheci os guris da Virgo ainda [quando] eles estavam na outra formação, saindo logo após o primeiro CD. Eu conhecia o Rafa lá de Novo Hamburgo. [E] o Patrick já toca comigo em outros projetos, já há 18 anos. A gente é amigo há bastante tempo. E aí quando o Patrick começou a tocar com a Virgo. Eu fui em alguns ensaios deles e gostei do som deles também. Me identifiquei bastante com a mistura que eles propunham.

A gente trabalha também com a mesma produtora e o mesmo coletivo, que é o Outro Mundo Acontece. Isso aproximou mais a gente, [com] conversas e trocas de referências. Eu acompanhei todo o processo dos guris em pensarem o álbum, e aí veio esse convite para o “Fim dos Tempos”. A música era uma loucura e o Rafa ficou botando na minha cabeça: “a gente vai fazer assim, um tempo doido”, botando uma pilha. A gente se reuniu, ficamos juntos fazendo e foi muito legal o processo de construir essa música.

E eu acho que tem muito também de hip hop e rap na Virgo, embora talvez as pessoas, à primeira ouvida, não se identifiquem. Mas nas referências, no que os guris ouvem, as músicas do hip hop que encontra o indie, a gente tem muita coisa em comum. E essa faixa foi um presente! Foi um convite muito doido, [em que] eu saí da zona de conforto. Acho que o Rafa também… todo mundo da banda.

Acho que isso foi mais legal. Uniu a gente numa loucura nova!

Rafa: Eu, pelo menos, idolatro o Zilla há muito tempo. Um dos últimos “boombepeiros” do meu coração!

A gente começou a conversar sobre ele fazer uma participação no álbum. E aí eu trouxe esse desafio: vamos fazer um rap em 5×4. E ele falou “não, peraí, vamos tentar”. Tentou, não achou muito legal, e a gente foi conversando, tentando estipular um meio termo do que fosse legal pra ele e pra gente, pra fazer uma coisa diferente. Uma coisa que ele conseguisse se sentir dentro do negócio e se sentir pertencente à parada. Mesmo sendo em um tempo esquisito e um processo um pouco distinto do que ele está acostumado, que é um processo de receber um beat e desenvolver as ideias em cima disso. E a gente conseguiu desenvolver um trampo que eu achei uma das favoritas do álbum.

E depois de uma agenda lotada em 25 pelo sul, e agora vindo para São Paulo, vocês têm planos concretos de irem para outras regiões: centro-oeste, nordeste e norte?

Vitinho: Plano tem. É o desejo e o sonho de todo mundo, justamente sair, caminhando de carro e encontrando os amigos que a gente fez nesse meio do caminho junto com o OMA (que é o Outro Mundo Acontece). E aí a gente aproveita, faz conexões. Tocamos com o Tangolo Mangos, Cidade Dormitório. O desejo é justamente fazer essa caminhada, sentir o outro lado da bússola para conhecer novos lugares e fazer novos amigos. Que no fim das contas é isso.

Essa que é a parada!

O Um Outro Lado da Música tem um quadro que se chama “Um Outro Lado Indica”. E eu quero saber de vocês, qual artista/ banda vocês indicam para mim e para quem está lendo a entrevista!

Rafa: Eu vou passar o da banda que eu estou usando a camiseta, que se chama Banda Cambaia. [É] uma banda que a gente tocou ali em Maringá e em Paranavaí. Uma banda muito legal de uma cidade do lado de Paranavaí, Sarandi. Ricardo e Chico, maravilhosos. A gente ouviu os shows deles. Gostou muito. Então essa é a minha indicação: banda Cambaia.

Patrick: Cara, eu vou indicar para o Um Outro Lado da Música, uma coisa para ouvir que é rap e que está aqui com a gente, que é o Zilla [Zilladxg]. Procurem saber. O trampo é foda. [Ele] gravou três [música] ontem aqui em São Paulo, fazendo valer a vinda. Então quem puder, escute, que é do caralho!

Vitinho: Vou botar 43duo. Nossos amigos de Paranavaí. Nossos amados, que a gente teve o prazer de conhecer na estrada. E para além de serem grandes amigos, é um som bom demais. Sempre que a gente vê a gente, sai de lá exorcizado. Bom demais.

E as duas bandas estiveram no Melhores do Ano: 43duo e A Virgo

Zilla: Eu quero indicar para a galera um cara que é muito criativo, que é o Matchola. [Ele] é um cara da Bahia, é um irmão muito criativo. É um cara que produz, escreve, se mixa, se masteriza. Ele está com um trampo muito legal, chamado “Zero Bala”.

No outro álbum anterior dele, que a gente teve a felicidade de participar, é o “Ok Tchola”. É um álbum que vai de todas as vertentes: desde o Indie, desde o Brega, Trap. E esse outro agora ele traz uma musicalidade mais baiana. Mais com um pagodão baiano. Mais regional. Está muito massa! Um cara super criativo. E eu acho que vale a pena a galera ouvir!

Então é isso galera. Muito obrigado pela entrevista, e bora para o show aí!

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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