Atualizado em: abril 21, 2026 às 5:19 pm
Por Guilherme Costa
O Lyrre foi revelado para o público em 2022, pouco tempo após Michalina Malisz deixar o Eluveitie (da qual ela foi integrante durante oito anos) e decidiu se aventurar em outro grupo. Seguindo com o seu grande instrumento, Hurdy Gurdy — do qual a polonesa tem diversos vídeos fazendo covers com o instrumento —, Malisz surpreendeu ao assumir os vocais do projeto que, segundo ela, foi instigada pelo guitarrista Piotr Martuś:
“Piotr começou a me convencer a cantar no LYRRE, e eu fiquei cética no início, mas depois de um tempo e muita reflexão, decidi tentar”
O resultado foi surpreendente — sobretudo se pensarmos em possíveis comparações com as vocalistas da sua antiga banda — e o disco de estreia, “Not All Who Dream Are Asleep”, teve uma boa recepção pelos curiosos fãs da musicista. Aliás, os fãs tiveram um papel importante na criação do álbum de estreia, ao viabilizá-lo através da bem-sucedida campanha de crowdfunding.
“Not All Who Dream Are Asleep” também me atingiu em cheio e esteve entre os Melhores do Ano do Um Outro Lado da Música de 2023.
Agora, três anos depois, é a hora do grupo (formado por Piotr Martuś, Miłosz Buśko e Tomasz Młóciński, além da Michalina) dar o passo seguinte. O sucessor, intitulado “Nothing Is Promised”, está programado para sair no dia 7 de maio, prometendo ser soar mais cru: “buscamos inspiração em gêneros de metal mais extremos e deixamos de lado a produção eletrônica, tão importante no nosso álbum de estreia”.
Entre o disco de estreia, o seu sucessor e a missão de ser o centro de uma banda, Michalina Malisz comentou para o Um Outro Lado da Música sobre os próximos passos do Lyrre, no 5 Perguntas do mês de abril.
Confira:

No dia 7 de maio sairá o segundo disco do Lyrre, “Nothing Is Promised”. Qual é a expectativa para o lançamento e no que ele difere ou se iguala com o disco de estreia?
Sentimos que “Nothing Is Promised” é, por um lado, uma continuação lógica do nosso álbum de estreia e, por outro, algo totalmente diferente. Existem algumas semelhanças: a mistura de metal com o hurdy-gurdy e os temas líricos sobre mudança e incerteza. Mas também há muitas diferenças. As músicas de “Nothing Is Promised” são mais cruas. Buscamos inspiração em gêneros de metal mais extremos e deixamos de lado a produção eletrônica, tão importante no nosso álbum de estreia. Piotr escreveu muitas demos para este álbum e, como queríamos lançar apenas as melhores músicas, reduzimos para 7 faixas — mas colocamos nosso coração nelas e as desenvolvemos para serem mais longas do que em “Not All Who Dream Are Asleep”. De modo geral, a direção do novo álbum é mais orgânica e madura.
Os videoclipes das prévias do segundo álbum são menos grandiosos do que as prévias do álbum de estreia. Isso também irá se refletir no próximo lançamento, tendo uma sonoridade e conceito mais cru do que o anterior?
Com certeza! Queríamos que o visual em torno de “Nothing Is Promised” refletisse a mudança no nosso som. Sentimos que o contraste entre os clipes cinematográficos que gravamos na natureza para os singles de NAWDAA e os videoclipes mais fechados e sombrios de “Orchard”, “Still Human” e “Ephemeral” expressa muito bem essa mudança.
O “Not All Who Dream Are Asleep” é um disco em que o instrumento cria “riffs”, numa sonoridade mais próxima do Metal Moderno. Pode comentar como foi a concepção para a criação do álbum?
Piotr, que é o nosso principal compositor, fez pelo menos 25 a 30 demos para “Nothing Is Promised”. Já ao ouvir os riffs das demos, ficou claro para nós que este álbum seria muito mais sombrio e cru em comparação com o nosso disco de estreia. Dentre essas, selecionamos apenas as que mais amamos, o que nos deixou com 7 demos para trabalhar — às quais Michalina adicionou as partes de hurdy-gurdy, vocais e letras. O hurdy-gurdy tem alguns momentos de “riff” no álbum, mas às vezes também acompanha as guitarras, se misturando um pouco mais.
Foi uma surpresa para mim quando você anunciou que seria a vocalista de uma banda, após a saída do Eluveitie, porque eu só a via com o Hurdy Gurdy. Você já havia trabalhado com canto anteriormente? E como foi o desafio de assumir o papel principal de um grupo?
A história engraçada é que, quando Piotr e eu estávamos pensando em começar uma banda juntos, lá por volta de 2018, estávamos bem decididos a procurar um vocalista masculino. Tínhamos alguns candidatos em mente e até fizemos audições e gravações experimentais com diferentes cantores. Mas, conforme avançávamos, sentimos que essa não era a direção certa para nós. Então o Piotr começou a me convencer a cantar no LYRRE, e eu fiquei cética no início, mas depois de um tempo e muita reflexão, decidi tentar.
Eu só tinha cantado de forma esporádica antes, então foi realmente desafiador assumir o papel de vocalista principal no Lyrre. Começamos a criar músicas para a banda em 2020 e eu pratiquei por alguns anos em casa para gravar nosso álbum de estreia. Depois disso, os primeiros shows foram extremamente difíceis para mim: de repente, eu me tornei a pessoa à frente da banda, que precisava cantar, tocar e interagir com o público. Precisei de bastante tempo para aprender a cantar usando monitoramento in-ear e aprimorar minha técnica, mas agora, depois de 3 anos tocando ao vivo, acho que posso dizer que peguei o jeito. E estou realmente ansiosa para os shows de lançamento do nosso próximo álbum
Em 2018 eu estava no show do Cellar Darling e a Anna comentou sobre as dificuldades do grupo para sair em turnê em outros continentes. É normal pensarmos que, por alguém já ter tocado numa banda grande, a vida após a sua saída tenha um caminho fácil. No caso do Lyrre, o seu (re)começo foi mais dificultoso em relação ao orçamento para sair em turnê, conseguir lançar e divulgar o álbum de estreia ou as coisas foram acontecendo naturalmente ?
A resposta aqui tem dois lados: com certeza é mais fácil continuar uma carreira musical com um novo projeto quando se teve a oportunidade de fazer turnê com uma banda como Eluveitie. Isso dá a chance de ganhar reconhecimento, fãs e talvez até alguns contatos. Não consigo imaginar o quão difícil deve ser construir uma carreira musical do zero hoje em dia.
Mas, no fim das contas, o LYRRE ainda é um projeto pequeno e totalmente independente. Conseguimos lançar nosso álbum de estreia de forma independente graças aos nossos fãs e às contribuições na nossa campanha no Kickstarter. Nosso próximo álbum também será lançado de forma independente. Assim, conseguimos criar a música que gostaríamos de ouvir com 100% de liberdade e zero concessões. Ao mesmo tempo, também trabalhamos em empregos em tempo integral. Felizmente, eles são relacionados à música — Piotr administra uma oficina de luteria, onde ele e nossa equipe constroem hurdy-gurdies, e eu dou aulas de hurdy-gurdy.
Mas, neste momento, nosso foco está no lançamento do álbum — finalizando as mixagens, ensaiando para os shows de lançamento e criando o merchandising. Estamos muito animados para que você ouça este álbum e esperamos que você goste!





