Imagem dos integrantes do Wilza

Wilza: doce e ácido, em seu disco de estreia

O trio paulistano oferece Punk Noise/ Rock ácido, sem deixar de caminhar por melodias mais suaves

Atualizado em: fevereiro 6, 2026 às 8:46 am

Por Guilherme Costa

Uma das coisas mais legais do underground é a inquietação dos músicos que têm uma banda, e decide criar outro e outro e outro projeto, chamando amigos de outras bandas. Ok, há um aspecto de sobrevivência nisso para conseguir viver num meio quase nada rentável; mas isso não muda o fato — ao menos do ponto de vista do público — de que ver integrantes de grupos diferentes se juntando e montando outros é algo bem legal!

Foi assim que eu conheci o Wilza, já com a atual formação que conta com Ligia Murakawa (Giant Love), DW Ribatski (Norvana) e Isabella Pontes (Schlop), quando o trio liberou o single “Terapia” — um rock típico de um power trio alternativo dos anos 90. A faixa tem uma letra interessante, que coloca em perspectiva o custo financeiro para se fazer uma terapia (muitas vezes, um empecilho para quem quer cuidar da saúde mental).

Na época do lançamento da faixa, eles ofereceram uma visão mais completa da letra:

“(Tem) a ver com pagar terapia, sendo que minha amiga Tania Carlos, psicanalista, diz que a terapia você pode pagar até com arte, ou com algo que você possa devolver que soe genuíno (a maioria prefere dinheiro kkkk). Agora pagar talvez possa ter a ver com a impossibilidade de fugir de ter que enfrentar as coisas que temos que encarar. Mas o bonito da arte é descobrir novas significações possíveis todo dia, NE”?

O autointitulado álbum de estreia, cuja bateria foi gravada por Clara do Prado, saiu no dia 20 de janeiro no Bandcamp e no Soundcloud, sendo liberado nas outras plataformas digitais no dia 3 de fevereiro. Gravado no estúdio Estúdio Quadrophenia, cuja produção foi assinada pela banda em parceria com Breno Della Ricca (Giant Love e Gürgel), o álbum teve a participação de Isabella Pontes na concepção da capa do disco.

Alt Rock com pegada pop

A influência do Grunge, Noise Rock e Punk Rock são claras, com bandas como o Nirvana e Sonic Youth sendo as usuais bússolas para esse tipo de música. Mas há algo de Power Pop (ou “Punk Pirulito”) no álbum, seja pela voz de Ribatski ou por momentos em que o ritmo frenético das músicas é diminuído. A já citada “Terapia” e “Luigi Mangione”, faixa cujo título leva o nome personagem que ganhou destaque ao ser acusado de ter assassinado o CEO da UnitedHealthcare em 2024, contém uma roupagem “suave” — quase de baladinha — com letras ácidas: principalmente a segunda (“eu sou um foguete comunista/ explodindo na cara do sol/ o seu papai é um patrão machão nazista, cortaremos a cabeça do rei”).

Em outros momentos, a explosão no refrão é o outro fator de destaque no disco, como é o caso de “Glicose Matinal”: ela inicia com uma introdução forte, direta e reta do baixo de Ligia e explode numa ode noise em seu refrão. “Trem Fantasma”, por sua vez, é ligada no 220 desde o início, sendo uma grande amostra punk do álbum!

“Senta Em Mim” encerra o disco de maneira surpreendente, por ser uma faixa de pouco mais de sete minutos. Aliás, são sete minutos muito bem utilizados e que sintetizam a proposta do disco; ela começa serena, bem ao estilo Power Pop, descamba para o que o Sonic Youth mais sabia fazer: barulho, volta para a serenidade e é concluída com mais barulho. Um Punk Rock Pirulito!

Em quase 35 minutos, o Wilza nos faz dançar, pular, bater cabeça e prestar atenção em suas letras diretas e ácidas. Uma estreia com gosto de “quero mais”!

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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