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Gatos de Apartamento transforma dor em música no disco “Entre as Canções e as Dores”

O segundo disco de inéditas do sexto aposta em melodias mais próximas do Pop Rock

Atualizado em: junho 28, 2026 às 5:41 pm

Por Guilherme Costa

Na resenha que escrevi sobre o disco de estreia do Infinito Latente, eu citei que a mistura entre rock e MPB (carregado de letras poéticas) criou um DNA do Rock Brasileiro — sobretudo a partir dos anos 2000. Mas como a música é responsável por criar espectros dentro de um mesmo gênero, o rock nacional (ainda focando nos anos 90 e 2000) tem uma outra marca muito forte: a veia pop.

O que mais tem no nosso país são bandas com guitarras e bateria fortes, que se funde a um teclado mais suave, um saxofone mais suingado (ou meloso) e letras românticas-sacanas-cômicas. O Barão Vermelho, por exemplo, quando o Frejat deixou a voz do grupo mais grave, cantou sobre grandes amizades (“Meus Bons Amigos”), ao mesmo tempo que saudava a Angela Ro Ro (“Amor, Meu Grande Amor”) e, bom, foi bem danado em “Puro êxtase”. Tudo isso, sem deixar de ser rock and roll.

E assim o Pop Rock nacional foi se moldando até criar uma faceta muito fácil de identificar e de se apreciar!

Tais reflexões surgem quando eu costumo conhecer algumas bandas brasileiras (o já citado Barão, o Rotor, os Estranhos Românticos…). E quando eu ouvi o novo disco da banda Gatos de Apartamento, “Entre as Canções e as Dores”, foi fácil fazer essa conexão.

Lançado no dia 16 de janeiro, o disco (gravado no finado Estúdio Aurora) teve a produção de Carlos Freitas e mixagem de Julio Miotto. Fabio Pelissioni (vocal e guitarra), em companhia de Paula Indalecio (vocal), Feeu Moucachen (guitarra), Luis Fernando Silveira Beraldo (baixo), Paulo Canosa (bateria) e Shane Hardwicke (teclado), compôs uma trilha embalada por letras confessionais e melodias pops cativantes.

“Mais do que um conjunto de canções, Entre as Canções e as Dores funciona como um retrato íntimo de um período de transição — entre perdas e recomeços, entre a crueza e a esperança. É o disco de uma banda que encontrou abrigo justamente onde tudo parece instável: na música.” Comentou o grupo em suas redes sociais.

O disco começa com o Blues Rock de “Jaula 6 (Samsara Boy)”, numa letra que trabalha bastante com a dualidade do sentimento de resignação. Embora o álbum não seja tão pesado quanto o seu antecessor, “With Love” — lançado em 2020 —, há muitas guitarras fortes nele, como na faixa seguinte “Formidável”.

Como é costumeiro com uma banda de músicos veteranos, a rebeldia dos primeiros lançamentos dá lugar a composições mais sóbrias e maduras — algo natural com as bandas do chamado Rock Nacional que sobreviveram à década de 80. Aqui, o espaço temporal é bem menor entre o primeiro e o segundo lançamento, mas é possível observar tal padrão; e aí está o êxito de “Entre as Canções e as Dores”!

A segunda metade do álbum caminha por melodias Pop Rock, sem perder o foco da atmosfera mais reflexiva. Em “O Mesmo Tempo”, faixa que conta com um belo solo de guitarra, o grupo reflete sobre términos (“Diz que o tempo é traiçoeiro/ Caprichoso contumaz/ Ponha a culpa então no tempo/ Me dê guerra e fique em paz”); enquanto “Rapsódia do Vento”, guiada por um piano ao estilo Ópera Rock — talvez a melhor do disco —, propõe um desfecho mais altivo ao passo que Pelissioni canta: “Vai/ Ser mais que o sonho/ Vai/ Ser vento, longe/ Vai/ Levar afeto/ Vai/ Ser mais que o tempo”.

Diferentemente da pesada (e alta) estreia, o Gatos de Apartamento preferiu deixar a raiva de lado e ser mais maduro em relação a sua sonoridade. E foi foi muito fácil — à exceção de “Skasso” — , de apreciar as melodias e reflexões que o novo disco do sexteto nos trouxe em seu segundo disco de inéditas!

 

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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