Atualizado em: julho 12, 2026 às 5:43 pm
“Jesu” (2004) é a estreia do projeto solo homônimo de Justin Broadrick – um dos pais do metal industrial e integrante do influente Godflesh.
Aqui, porém, ele se afasta das marteladas da fábrica e abraça seu lado mais pessoal, vulnerável e até sentimental – algo que, de certa forma, justifica o tom solitário que permeia toda a duração do disco.
Além dessa sensação, outro aspecto que define “Jesu” é sua reverberação constante e profunda, que envolve tanto a distorção dos instrumentos quanto a voz de Justin – a ponto de ela soar quase como um coro, um encontro de vozes.
Essa solidão é tão intensa que nem a voz completamente reverberada de Justin – multiplicada pela produção para soar como várias ao mesmo tempo – consegue romper esse vazio transformado em música. Você nunca sabe exatamente quando os versos chegam ao fim, porque seus ecos continuam se espalhando pelo espaço.
Be there for your summer.
Be dead by your winter.
Be there, walk on water.
Be dead, walk on water. – trecho de “Walk on Water”
O que mais se encontra aqui é um frio espiritual, introspectivo e melancólico, com a cara do inverno. Os versos são repetidos continuamente em um movimento quase hipnótico que, por algum motivo, acaba sendo estranhamente acolhedor.
Com essas e outras características, “Jesu” abriu um caminho importante para que inúmeras bandas, do shoegaze ao metal alternativo, passassem a explorar sonoridades cada vez mais contemplativas, solitárias e estranhas.





