Atualizado em: agosto 16, 2026 às 7:41 am
Por Guilherme Costa
Dezessete anos já é o suficiente para colocar um grupo no hall de veteranos, sobretudo se o grupo se manteve bastante ativo neste meio tempo. Portanto, os ingleses do Basement podem ser encaixados facilmente em tal rótulo por sua atividade constante entre 2009 a 2018 — onde a banda de hardcore lançou quatro álbuns de inéditas, cinco EPs e diversas turnês pelo mundo afora.
Quase dez anos depois, Andrew Fisher, Alex Henery, Ronan Crix, Duncan Stewart e James Fisher não deixaram a chama se apagar num porão qualquer, e os ingleses hardcores retornaram para lançar o seu quinto disco de inéditas em 2026; mais precisamente no dia 8 de maio, via Run For Cover Records. O período entre “Wired” e o seu antecessor, “Beside Myself”, mesmo que longo, não foi de total inatividade, não causando (totalmente) uma sensação de retorno após eras de espera.
E isso é interessante, porque “Wired” soa como um disco que caminha entre o hardcore e o post-hardcore — num som típico do quinteto inglês —, mas que aponta para algumas singelas mudanças. Ou, no mínimo, novas adições à sua sonoridade!
Iniciando com a faixa “Time Waster”, o álbum parte de um lugar comum onde os integrantes estão empenhados em criar camadas ora densas, ora suaves; tal energia é mantida na faixa título, que vem logo em seguida. A partir de “Deadweight” o grupo começa a pender para o Alt. Rock da década de noventa, onde as influências são variadas: do Nirvarna ao Weezer — como é o caso da terceira faixa do álbum, que me lembrou um pouco de “Undone – The Sweater Song”.
Os novos elementos também são notados nas partes onde “Wired” desacelera e fica um pouco mais suave, mesmo que o teor lírico seja carregada de pessimismo, como é o caso da minimalista “Broken By Design”, cuja roupagem próxima do Sonic Youth ou Horsegirl (para citar um exemplo mais contemporâneo) é uma boa trilha para os versos: “estou desperdiçando todo o meu tempo?/ Vivendo num estado de inércia/ Se estou sonhando, estou vivo/ Não me importo, não me importo, não me importo”.
A primeira parte do disco é concluída com a caótica “Pick Up The Pieces”, que está longe de ser um hardcore convencional — sendo este o seu grande êxito — e “Embrace”, onde, talvez, esteja o melhor refrão presente no registro. Certamente os versos “How do we, how do we go on/ After the love is gone?/ How do we, how do we survive/ When they leave without saying goodbye?” são candidatos a ponto alto dos shows do Basement (caso ela esteja no setlist).
“Sever” e “The Way I Feel” iniciam a segunda metade de “Wired” com toques de familiaridade para os seus fãs, que logo vai para longe com a indie “Satisfy”, com a melódica “Head Alright” (e a sua sensação de ter camadas eletrônicas presentes) e a pop “Longshot”.
Oito anos separaram o último e o novo disco do Basement. Com muito tempo na estrada — afinal, eles já são veteranos —, “Wired” mostra que receio não foi um sentimento que esteve presente na composição do álbum. Já convicção, eles demonstraram em demasia, em outro grande capítulo da sua discografia.





