Atualizado em: outubro 1, 2026 às 2:26 pm
Por Guilherme Costa
No ano passado o Blackbriar lançou o disco “A Thousand Little Deaths” — álbum que ficou entre os Melhores do Ano do Um Outro Lado da Música —, refinando ainda mais o seu Gothic/ Symphonic Metal, num registro cheio de paisagens vitorianas, fantasiosas e sombrias.
Para além das dez músicas presentes do álbum, Zora Cock, René Boxem, Bart Winters, Robin Koezen e Ruben Wijga deixaram outras composições de fora, que foram liberadas no formato de EP no dia 19 de junho, via Blackbriar Music. Sob o título de “Our Long Cursed Sleep” (“nosso sonho há muito amaldiçoado”, em tradução literal para o português), o quinteto definiu as músicas de um “EP de páginas perdidas”.
E as quatro músicas enriqueceram ainda mais o teor místico que o Blackbriar construiu em sua jovem carreira, cujo ápice foi o mais recente álbum. Na verdade, quando a faixa-título abre o EP da forma mais cativante possível, fica difícil imaginar qual é o teto criativo da banda. Certamente ela seria uma dos pontos altos caso fosse incluída em “A Thousand Little Deaths”.
A interpretação dramática e afiada de Zora também se mantém como outro ponto a ser destacado e apreciado pelo ouvinte, no qual ela — juntamente com a parte rítmica — vão conduzindo as histórias contadas. Mas da fantasia é possível se construir um roteiro palatável e próximo da nossa realidade, e foi pensando nisso que a vocalista encontrou um paralelo do mito grego da perseguição de Apolo à ninfa Dafne:
“Quanto mais eu me aprofundava na leitura desse mito, mais perturbador ele se tornava. Usei a história de Dafne e Apolo como um espelho para muitas realidades modernas: relatos de amor não correspondido e de pessoas que se recusam a aceitar o ‘não’ como resposta”. Comentou Zora nas redes sociais do Blackbriar.
Embora as atenções do grupo neerlandês sejam canalizadas na persona de Zora, é importante destacar a qualidade dos arranjos que servem de base para a cantora. Entre riffs pesados e expansivos, bateria e baixo fortes, mas também groovados, e as linhas sinfônicas dignas dos primeiros trabalhos do Morten Veland com o Sirenia, o Blackbriar segue se colocando entre os grandes nomes do seu gênero!





