Atualizado em: abril 5, 2026 às 7:56 am
Por Guilherme Costa
O ato de conhecer uma banda sempre terá um significado carregado de sentimentos positivos. Isso, lógico, quando a descoberta é uma grata surpresa! E esse é o caso do trio Blackwater Holylight — grupo oriundo de Portland, Estados Unidos.
Atualmente formado por Sunny Faris (vocal, baixo e guitarra), Mikayla Mayhew (guitarra) e Eliese Dorsay (bateria), as meninas decidiram deixar a sua cidade natal para rumar em direção às paisagens ensolaradas de Los Angeles. Bom, como Hollywood só existe no cinema, o resultado foi um disco com uma atmosfera mais densa e carregada de melancolia do que os seus antecessores!
“Not Here Not Gone” saiu no dia 30 de janeiro, via Suicide Squeeze Records — o primeiro em parceria com a gravadora —, e aliou tudo o que o (agora) trio fez em sua carreira e envelopou numa produção mais pomposa e forte. O resultado é a veia, stoner, doom, alternativa e psicodélica muito mais potente do que nunca, caminhando entre as atmosferas profundamente densas de artistas como Emma Ruth Rundle, Sylvaine e Chelsea Wolfe.
“Se houvesse um tema para o álbum, seria paciência. Algumas dessas músicas foram trabalhadas por nós durante três anos, apenas dando tempo para que elas respirassem e se desenvolvessem enquanto explorávamos um novo lugar e novas vidas.” Declarou Sunny Faris.
Refletindo o período de mudanças entre o novo disco e o seu antecessor (“Silence/Motion”), o álbum inicia de forma um pouco comedida com a faixa “How Will You Feel”, mesmo que os riffs de Mayhew demonstre que o peso do trio está mais distorcido; as linhas de sintetizador, trabalho feito por Sarah McKenna, tira a crueza que a música poderia ter e se aproxima de tons oníricos. Apenas a ponta do iceberg!
Se a abertura do disco contou com tons oníricos, “Involuntary Haze” é guiado pelas guitarras densas e monótonas, causando um certo desconforto que o Shoegaze é capaz de criar. O trio criou uma paisagem quase claustrofóbica para que a explosão de “Bodies” — faixa seguinte — pudesse te virar do avesso.
Pelos versos “Você é seu próprio pior inimigo,/ tirando algo do seu corpo, mantendo-o coberto por completo/ fingindo que você não está no/ seu próprio caminho,/ mantendo-o sempre igual”, já presumimos que a faixa não é nada sútil. Embora podemos sentir a presença de camadas de synths, as guitarras e a bateria marcam o ritmo pulsante que “Bodies” emula, com Sonny dando tons mais opacos à sua atmosfera gélida com a sua distinta voz.
A já conhecida “Heavy, Why?”, um dos singles promocionais do álbum, segue na mesma direção guiada pelo peso das guitarras de “Bodies” e antecede a primeira parte do disco, que é concluída com “Giraffe” — uma espécie de vinheta para lá de sombria.
Na segunda metade do álbum, as variações entre o Stoner (“Spades”), Alt Rock (“Void To Be”) e Atmospheric Rock (“Fade”), são outros elementos que mostram a maturidade do grupo, tanto lírica quanto sonoramente. Mas o ápice ocorre em seu encerramento, “Poppyfields” — faixa que relata o caso de um amigo do trio que teve a casa incendiada em Los Angeles —, que varia entre o rock atmosférico e Black Metal que a norueguesa Sylvaine apresentou em seu trabalho de estúdio de 2022 (“Nova”); em seus pouco mais de sete minutos, o trio levam os seus instrumentos ao ritmo mais extremo possível, numa faixa cheia de variações cujo encerramento é com um melancólico violino (gravado por Camille Getz). Uma epopeia.
Em quarenta e seis minutos de duração, o Blackwater Holylight utiliza de riffs pesados para seguir relatando a dualidade das nossas vidas, com a voz de Sunny Faris impulsionando a atmosfera sombria do álbum, e mostrando as suas evoluções enquanto musicistas.





