Atualizado em: novembro 2, 2026 às 10:58 am
Por Guilherme Costa
Após chamar a atenção do seu país natal (Irlanda do Norte) e de parte do continente europeu com o disco de estreia “For Your Sins”, a Dea Matrona deu alguns passos importantes para a conclusão do seu segundo disco de inéditas. Intitulado “Hate That I Care”, o álbum foi o primeiro com a gravadora AWAL e sucedeu a primeira turnê da dupla — formada por Orlaith Forsythe e Mollie McGinn — como headliner, ocorrida na Europa entre os meses de fevereiro e abril.
Lançado no dia 5 de junho, o segundo disco da dupla natural de Belfast também revelou como elas estavam dispostas a explorar mais do que as linhas cheias de influências do Blues, Folk e Soft Rock da estreia e dos seus primeiros EPs, se aproximando do Post Punk/ Rock alternativo da década de 80 — há um pouco de Siouxsie and The Banshees aqui, um pouco de U2 ali, e muitos sentimentos sendo despejados nos ouvintes:
“Começamos a tocar música juntas quando éramos adolescentes e éramos tão ingênuas que levamos um tempo para encontrar nosso rumo. Este álbum é vulnerável e aborda a própria identidade e conflitos internos. Sentimos que ele reflete melhor quem somos”. Comentou a dupla em suas redes sociais.
“Hate That I Care” também é o nome da faixa que abre o disco de pouco mais de trinta e seis minutos, mostrando que haveria uma atmosfera mais sombria em seu andamento; ela também consegue sintetizar o teor lírico do álbum, com os volúveis versos “Eu odeio me importar (eu odeio me importar)/ Eu odeio me importar (vejo você lá?)/ Eu odeio me importar (eu odeio me importar)/ Mas vou fazer uma oração/ Para ver você lá”. Orlaith e Mollie dividem o vocal da sorrateira “Aisling”, outra faixa com forte influência de Post Punk e New Wave que, em sua direção sinuosa, apresenta um dos melhores arranjos do álbum e uma letra um tanto misteriosa “ninguém te salva quando você tem medo de ser salvo por eles”.
Mas, por mais que as duas músicas citadas acimas chamam a atenção, o ponto alto do álbum está nas linhas Blues/Country das faixas “A Rebel Song”, “Magic Spell” e “Jane Doe” (esta, uma das melhores). Elas esbanjam feeling e muita virtuose — além do grande desempenho vocal da dupla —, deixando bem claro a evolução da dupla em relação ao seu debut.
“Told U I’m Strange” encerra o disco sintetizando tudo o que ocorreu no álbum, numa faixa que tem um pouco de Blues, New Wave e Soft Rock. A roupagem inicial do disco, por meio dos singles promocionais, sugeriu uma grande mudança na sonoridade da Dea Matrona, mas, pelo contrário, elas apenas expandiram os seus horizontes!





