Destaques da Semana: Godflesh dizendo adeus, retorno do jonabug, levante de Drenna, dopamina Dirty Grills e Ballburya rompendo paradigmas

Discos e singles que embalaram o miolo do mês de agosto

Atualizado em: agosto 15, 2026 às 11:44 am

Quem disse que agosto passa rápido deve estar assustado. Já estamos na metade do mês de agosto que, entre dias alternados de frio e calor, chega num fim de semana de grandes eventos. Um exemplo é o festival SPIM, em São Paulo, que celebra a música independente com mais de 20 shows em 5 dias diferentes. O outro evento, é nossa seleção de Destaques da Semana; se liga:

Godflesh lança single que abre seu penúltimo álbum de carreira

O Godflesh definiu sua despedida! O dueto industrial composto pelo influente Justin K. Broadrick ao lado de B.C. Green havia anunciado o fim da banda por razões médicas – o vocalista Justin não pode mais gritar sem colocar sua saúde em risco e, inclusive, ele passou por uma delicada cirurgia recentemente.

Porém, a banda ainda não disse seu adeus oficial. Antes do fim, eles ainda planejam lançar dois discos inéditos. O primeiro deles será “Decay“, previsto para 25 de setembro deste ano pela Relapse. A faixa “Living/Ending” saiu na última quarta-feira (12) como amostra do trabalho e teve resultados lá na sessão de gravação do álbum “PURGE” (2023).

Em comunicado à imprensa, Broadrick falou mais sobre sua relação com os trabalhos finais do Godflesh:

“Felizmente, todas as gravações de Decay foram concluídas muito antes da cirurgia, incluindo vocais… Embora a parte final de algumas músicas tenha sido gravada com a própria hérnia, e isso foi uma luta. Eu já sabia que o grito Godflesh, por assim dizer, estava agravando muito a hérnia, assim como toda apresentação de Godflesh antes da cirurgia quando a hérnia apareceu, e a hérnia foi causada principalmente por anos após anos gritando em Godflesh.

O álbum foi mixado após a cirurgia, e embora eu ainda estivesse com alguma dor e desconforto considerável, felizmente Godflesh geralmente é eu expressando minha dor, embora mental, filosófica e existencial, enquanto essa era dor física.

Ela expressa minha dor, e coloquei meu corpo e alma nessa expressão durante a maior parte da minha existência. Me sinto bastante sortudo, porque a Godflesh agora é fisicamente impossível para mim, tornando-a inútil. Agora desejo sair dessas limitações, seguir em frente criativamente com música pesada/feia para um novo caminho.”

jonabug inicia nova fase com as reflexões criativas de “rascunho”

Já que falamos do festival SPIM na introdução, não poderíamos deixar de fora dos Destaques um single lançado por uma de suas principais atrações. O jonabug, originário de Marília (interior de SP) lançou “rascunho” na última sexta-feira (14) – exatamente um dia após o show do evento.

O novo som marca a nova etapa criativa do quarteto, que já prepara o EP “torpor” para os próximos meses. A primeira amostra do trabalho mescla influências do rock alternativo dos anos 90 com guitarras mais pesadas e vocais meio abafados e sussurrados – algo que já é parte da identidade deles.

Sua letra é totalmente cantada em português, seguindo uma linha que o grupo começou a explorar em momentos pontuais do trabalho de estreia “três tigres tristes”, e aborda temas que envolvem mudanças e bloqueios criativos.

A ressaca punk do duo Dirty Grills

Quem nunca se divertiu muito em algum dia ou evento específico e acordou no outro se sentindo péssimo? com aquela sensação de ressaca que não é apenas física, como também moral e até meio emocional…

Essa tal compensação de dopamina do nosso cérebro é tema principal da música “Depressão Pós-Party“, do dueto Dirty Grills, originário de Florianópolis (SC). A faixa, que saiu de forma independente também no último dia 14,  é marcada pelos moldes do punk.

Em outras palavras, isso significa um som rápido, cru, autêntico, divertido e, certamente, curto – com um minuto e meio de duração.

A música é o primeiro lançamento de Jéssica Gonçalves (vocal e guitarra) e Mariel Maciel (bateria) em 2026 e sucede o EP autointitulado lançado por elas em abril de 2024.

ballburya rompe paradigmas com seu trabalho autointitulado

Parece impossível crer em uma descrição que diz que uma banda vá ter Gojira e Dominguinhos como inspirações criativas, mas, surpreendentemente, o ballburya prova em seu último disco intitulado que isso é possível.

Também lançado na sexta-feira, o trabalho chega com dez músicas que desafiam qualquer gênero, rótulo ou classificação. Aqui, o metal vai além até do que é tido como alternativo e se junta a ritmos nordestinos e de circo – além do reggae e outros ritmos em “Nômades“.

Numa combinação de peso, complexidade e diversidade, citamos “Serena“, o single “Ninho de Almas” e a espirituosa “BELZEBU” – que chega a emular um Nação Zumbi – como faixas de destaque.

Um Levante por respeito

Fechamos os Destaques da Semana com “Levante” – um título que reflete exatamente a proposta do novo single da banda Drenna, gravado com a presença de importantes personagens do rock e do metal feminino na atualidade.

A faixa, que também poderia ser chamada de manifesto, reflete sobre o papel da mulher na sociedade e constrói um hino de resistência e empoderamento com momentos musicais bem diversos.

Aqui, a voz da vocalista Drenna é também compartilhada com Mc Taya e Dani Buarque (The Mönic), além de também ganhar uma participação berrada com Yasmin Amaral (Eskröta) e linhas surpreendentes de saxofone com Ada Bellatrix (Flor Et).

 

 

 

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Arthur Coelho
Jornalista, baterista e apaixonado por música de todo tipo, principalmente se tiver gritaria. Também conhecido como Art ou Tuco.

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