Atualizado em: maio 18, 2026 às 7:48 am
Por Guilherme Costa
A cantora suíça Fabienne Erni teve a difícil missão de substituir a Anna Murphy no vocal feminino do Eluveitie em 2017. Com três álbuns de estúdios lançados, sendo o mais recente (“Anv”) em 2025, não há dúvidas que ela conseguiu colocar a sua marca na banda.
Tal confiança conquistada através do grupo de Folk Metal fez Erni, ao lado do guitarrista Jonas Wolf (também do Eluveitie), criarem o Illumishade — cujo álbum de estreia foi financiado via crowdfunding —, banda que caminha entre o Hard Rock e o Modern Metal. O que poderia ser a reta final dos seus experimentos fora do Eluveitie, se mostrou apenas outro braço da sua carreira. Faltava o empreendimento solo!
E assim foi anunciado o disco “Starveil”, o primeiro sob o seu nome, cujo lançamento foi no dia 13 de março, de forma independente. Com dois históricos bem distintos, o debut conseguiu ter o melhor dos mundos de suas bandas, longe de soar como uma cópia.
Encontrei o tipo de música que queria fazer bem rápido. Definitivamente tem mais Illumishade nas minhas músicas, já que escrevo muito mais para o Illumishade do que para o Eluveitie. Dá para perceber isso no som, embora os elementos folk sejam distintos do Illumishade (risos). Como você pode ver, não é tão simples. Às vezes estou mais próxima de uma das minhas bandas, outras vezes mais distante. O que me diferencia claramente do Eluveitie é o fato de praticamente não haver vocais gritados no álbum.
Talvez a declaração da suíça ao portal Metal Factory seja pontuada pelo fato do Death Metal, muito presente no som do Eluveitie, não estar presente na sonoridade do álbum, onde o trabalho de guitarra é calcado em timbres característicos do Modern Metal (contando com muito groove, aliás). Mas o álbum está longe de não ter elementos da música folk europeia, como acontece logo de cara em “Vareon” — um interlude que apresenta muito bem as intenções do álbum — e em “Sky’s Breath”, introduzida por uma harpia, que logo dá lugar a um enérgico heavy metal moderno!
Entre as participações, digamos assim, no background do álbum, “Starveil” tem a participação da forte e simpática (tive uma interação com ela no show do Infected Rain em São Paulo) Lena Scissorhands na faixa “Ritual”. Se no anúncio da parceria poderíamos imaginar algo próximo da banda da convidada, o que foi feito é uma quase balada que, segundo Erni, “fala sobre o conforto sombrio de pertencer a algo absorvente e a clareza perturbadora que vem com a entrega total”.
Se até a terceira faixa podemos ver uma nova faceta de Erni, em “Stone by Stone” poderia muito bem estar em algum álbum do Illumishade; ela não é ruim, mas evoca aquele sentimento de “algo familiar” que não é muito agradável num trabalho solo onde esperamos ousadias. Para a nossa sorte, “Starveil” vem logo em seguida e mostra um Folk Metal próximo dos trabalhos do Leah (e um pouco de “Mother Earth”, do Within Temptation, também), onde Erni mostra como a sua voz pode ser o guia de um grande universo fantástico, evocados pelo uso da gaita de foles e flauta de lata. Aliás, a faixa-título é uma das melhores do álbum, não apenas por ser um bom resumo do que é o disco, mas por mostrar uma unidade coesa.
O “universo fantástico” é fortalecido pelas faixas seguintes, “Living and the Dead”, “Shaelun Vyrathi” (um interlude) e “Forged in Me” — cujo refrão próximo do Illumishade não é capaz de tirar o charme da faixa, onde Erni parece ter encontrado confiança para fugir das lógicas comparações com os seus outros trabalhos. “Thalen’Muron”, no entanto, remete ao trabalho que a cantora fez com o Tvinna (além de grupos, como o Heilung), evocando ancestralidade com a técnica Kulning.
Como eu disse acima, Fabienne Erni conseguiu passar com louvor na missão de substituir Anna Murphy no vocal do Eluveitie. Ela também vem consolidando o seu nome no mundo do metal, com a sua grande voz — além de ser uma multi-instrumentista — e o seu grande feeling, e “Starveil” é um grande passo para isso!





