Fallen Sanctuary e o Power Metal tradicional que todos amamos no disco “Terranova”

O Fallen Sanctuary uniu o universo do Serenity e do Temperance, para criar uma outra versão do Power Metal

Atualizado em: agosto 30, 2026 às 6:02 pm

Por Guilherme Costa

O Power Metal teve a sua fundação comandada pelo Helloween e consolidada pela própria banda ao lado do Gamma Ray e Stratovarius, que deram as diretrizes do estilo. Do boom na década de 90 até o seu processo de pasteurização na segunda década dos anos 2000, o gênero vem tendo novos nomes que tem dado um refresco para o “metal espadinha” (até mesmo as bandas que seguem uma linha mais tradicional).

Dois grupos que deram e dão aos fãs uma dose de autenticidade são o grupo austríaco Serenity e os italianos do Temperance. E foi numa turnê (em 2018) das duas bandas que os seus líderes se conheceram e perceberam que poderiam trabalhar em conjunto no futuro:

“Marco e eu conversávamos bastante à noite no ônibus da turnê, a caminho do próximo show com o Serenity e o Temperance . Era incrível descobrir que tínhamos tantas bandas favoritas em comum. E como também nos damos muito bem pessoalmente e moramos a apenas quatro horas de carro um do outro, tivemos a ideia de lançar um álbum juntos algum dia.” Declarou Georg Neuhauser, compositor e vocalista do Serenity.

Em 2022, então, o Fallen Sanctuary (curiosamente, ou não, o mesmo nome de um dos discos mais importantes do Serenity) foi fundado por Neuhauser e Marco Pastorino (guitarrista e vocalista do Temperance), num projeto que teve a formação completada por Gabriele Gozzi (baixo) e Alfonso Mocerino (bateria). O disco de estreia, “Terranova”, não demorou muito para ser finalizado e saiu no dia 24 de junho, via AFM Records.

Recentemente houve uma trend no Instagram onde a pessoa mencionava dez discos que “alteraram a química do seu cérebro” (ou algo do tipo), e eu me peguei pensando em quais álbuns estariam nessa lista. Tempos depois eu recordei do impacto — não o inicial — que eu tive ao ouvir o disco de estreia do grupo, voltando de um dia de trabalho. O mais positivo possível!

Terranova

Mesmo que não traga nada de novo ou de tão transgressor, como o Temperance tem feito em seus últimos trabalhos, o disco de estreia do Fallen Sanctuary tem o balanço perfeito entre os mundos dos seus idealizadores e o que se espera de uma banda denominada de Power Metal/ Metal Melódico.

E o disco começa a cem por hora com a pesada e direta faixa-título. Ela tem tudo que um autêntico apreciador do estilo precisa: base precisa e potente, guitarras dobradas e um refrão digno para ser cantado em coro — embora ele não seja um dos mais épicos. Creio que este seja um dos grandes êxitos do disco: quando pensamos que vem algo, a banda mostra outra saída (no caso da faixa “Terranova”, um refrão chiclete mas sem aquele clima épico). Outra música também explora essa veia mais pesada é “Destiny”, cuja introdução é uma das mais eletrizantes do álbum, bem como o seu solo.

Mas no geral a banda pende para um senso melódico, impulsionado pelos ótimos vocais de apoio de Pastorino — a voz de Neuhauser dispensa comentários —, que dão vida às suas faixas. Em “Now and Forever”, por exemplo, o início poderia ser de “mais uma música pesada qualquer”, mas tem o seu rumo alterado para uma ponte-refrão bastante cativante (uma das minhas favoritas); “No Rebirth” e “Boud to Our Legacy” também são outros exemplos da dinâmica bem estruturada entre peso e melodias, com riffs potentes e um verso-refrão de fácil absorção.

Duas músicas que se notam por se distinguir da direção de “Terranova” é “I Can’t Stay”, faixa agridoce que aborda a dificuldade de encerrar um capítulo de uma história (“Agora você se foi e eu finalmente vejo/ o fantasma no espelho que sempre fui eu”) e “Trail of Destruction”, que segue numa linha entre um AOR com elementos sinfônicos, em outro trabalho com um grande e grudento refrão.

“Terranova” não é do tipo que causa rupturas e se coloca entre diferentes tipos de fãs do Power Metal/ Metal Melódico. No entanto, o seu grande trunfo é fazer o clássico bem feito e sem soar como algo que já foi ouvido por aí!

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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