Atualizado em: junho 6, 2026 às 7:27 pm
Por Guilherme Costa
O Ladytron está num estágio onde até não pode ter a fama de uma Diva Pop, mas tem uma base sólida de fãs e o respeito da mídia especializada e até do público de outros estilos musicais. Também pudera! O trio, formado por Helen Marnie (vocal principal, sintetizadores), Mira Aroyo (vocal, sintetizadores) e Daniel Hunt (sintetizadores, guitarra e vocal), chega ao seu oitavo disco mostrando total forma e feeling para nos fazer dançar até a exaustão.
“Paradises” — o primeiro disco sem Reube Wu, que deixou o grupo em 2023 — foi lançado no dia 20 de março, via Nettwerk, em todas as plataformas de streaming. O oitavo álbum do Ladytron defronta-se com o clima etéreo e industrial do seu antecessor (“Times’ Arrow”) e deixa claro que o grupo segue bem distante de cair no funil da repetição; claro que percebemos o DNA sintetizado dos ingleses, mas com texturas mais noturnas e dançantes.
“Toda vez que eu entrava no estúdio, saía depois de uma hora com uma nova faixa. A principal motivação era a diversão. Tudo voltou a ser divertido.” Comentou Hunt, que produziu o álbum e que prosseguiu: “Há uma coceira que nunca coçamos, que é o fato de que, apesar de nossas origens no mundo dos DJs, nunca fizemos um disco de ‘disco’. Embora ‘disco’ em nosso contexto tenha um significado um pouco diferente.”
E, ignorando sobre o porquê de “tudo ter voltado a ser divertido”, a empolgação do tecladista — vinculada no portal Stereogum, em novembro do ano passado — reflete bastante na atmosfera de “Paradises”, que já começa evocando as noites inglesas do fim da década de 80 e início de 90 na faixa “I Believe In You”. Há algo nostálgico nela, que segue em algumas faixas seguintes, como “Kingdom Undersea” e “A Death In London”, que caminha entre coisas do New Order e da Madchester, em geral.
Já “I Saw Red” é uma faixa típica do Ladytron, podendo estar em qualquer álbum da sua discografia, sendo guiada por diversas texturas e camadas eletrônicas. Ela está no meio de faixas que carregam um certo elemento nostálgico, mas sem soar piegas; e mensurando tal sensação, “Secret Dreams of Thieves” é um bom exemplo de faixa que pode lembrar algo — até mesmo do próprio grupo —, mas passando longe de soar datado!
Nostalgia é, basicamente, o termo que guiou a maioria das resenhas a respeito de “Paradises”. Mas como eu disse acima, o álbum está longe de soar uma cópia. E é com“Sing” (mais calcada no Dreampop), “Metaphysica” (que carrega a pesada atmosfera ácida e sisuda, típica de um grupo de rock) e “Ordinary Love” que o disco consegue fugir de tais rótulos — sempre com um ar soturno.
Há, também, a faixa “Caught in the Blink of an Eye”, cujo videoclipe foi gravado em São Paulo, e que flutua entre sensações lisérgicas e góticas. Para quem não sabe, Hunt reside na capital paulistana e a relação do grupo com o país é bem grande (mesmo que o último show por aqui tenha sido em 2011), com videoclipe (“City of Angles”) dirigido e atuado por brasileiros: Manuel Nogueira e Bianca Comparato, respectivamente.
Fato é que o oitavo disco do Ladytron é o mais dançante da sua carreira, revelando o quão grande é a música eletrônica e o próprio álbum, porque a já citada “I Saw Red” e a “We Wrote Our Names in the Dust” — 13ª faixa do álbum — são eletrônicas, dançantes e bastante distintas. Ao longo dos seus pouco mais de uma hora e onze minutos, e dezesseis faixas, o grupo — que faz muita banda de rock soar soft — faz com que o ouvinte não fique nem um minuto parado!





