Imagem dos integrantes do Tailgunner

O Heavy Metal está em boas mãos com o novo disco do Tailgunner

"Midnight Blitz", o segundo disco do grupo inglês, mostra um som mais produzido e tão pesado quanto a sua estreia

Atualizado em: abril 14, 2026 às 8:30 am

Por Guilherme Costa

Ao contrário do que muitos falam — incluindo grandes autoridades no assunto —, o rock não morreu e está longe disso. Quem não consegue enxergar a qualidade nos tantos bons grupos da nova geração, independentemente do gênero, tem perdido muita coisa interessante. Mas é importante dizer, também, que o movimento de criar um som revival tem os seus efeitos colaterais, já que a impressão de produzir algo com cara de “já ouvi isso antes” é uma faca de dois gumes.

Nisso, os ingleses do Tailgunner conseguiram superar em seu novo disco de inéditas, “MIdnight Blitz”, lançado no dia 6 de fevereiro, via Napalm Records. Três anos após a elogiada estreia, o cru e Heavy Metal (em sua essência) “Guns for Hire”, o quinteto deu tons modernos em seu novo empreendimento, conseguindo deixar a roupagem vintage de lado.

Formado por Tom Hewson (bateria), Craig Cairns (vocal), Zach Salvini (guitarra), Rhea Thompson (guitarra) e Eddie Mariotti (baixo), os jovens músicos seguem esbanjando técnica e feeling em suas composições que, mesmo que o visual seja espalhafatoso ao estilo da década de 80, os colocam num grupo de bandas criadas no século 21 (que incluem, entre outros, o Enforcer, Temple Balls e H.E.A.T) cuja sonoridade está longe de soar datada.

“Muitas bandas são obcecadas por meados dos anos oitenta, mas nós não veneramos apenas esse período. Queremos subir nesse altar e ser heróis para uma nova geração.” Declarou o baixista Tom Hewson, em entrevista ao portal Loudersound.com.

Curiosamente, essa intenção de não evocar um sentimento nostálgico contou com a ajuda — ou melhor, direcionamento — de um grande dinossauro (no melhor sentido da expressão): KK Downing, ex-guitarrista do Judas Priest e atualmente no KK’s Priest, que os chamou de descendentes do Def Leppard, Motorhead, Metallica e Iron Maiden. E, sim, o nome da banda é inspirado na música do não-muito-bem-quisto (não por mim, que o amo) “No Prayer For the Dying”.

Grandiosidade e peso

As sirenes soam e a faixa-título (o primeiro single promocional do álbum) é a responsável por abrir o disco, revelando os tons pomposos que guiarão a atmosfera do álbum. Guitarras fortes seguem sendo o grande destaque do grupo, mas aqui elas estão mais atmosféricas, virtuosas e menos cruas; o refrão é uma grande ode ao Heavy Metal:

“Morte em asas de aço, abaixo jaz o abismo/ Rasgado e despedaçado, levando muitos golpes/ Mestres dos céus nunca desistem/ Hora de fazer ou morrer, nós somos o Blitz da Meia-Noite”

Durante as dez faixas do disco, Zach Salvini e Rhea Thompson mostram um entrosamento afiadíssimo nos trabalhos de guitarras. Em “Tears In Rain”, faixa que tem um dos melhores refrãos do álbum, eles utilizam os pouco mais de três minutos para criar solo, bases e licks potentes e empolgantes, sendo a típica dupla que molda a identidade de um grupo.

Se as duas primeiras faixas mostram um Heavy Harrd contagiante, “Follow Me In Death” e “Dead Until Dark” caminham pelo panteão do Power Metal. Enquanto a primeira é veloz e pesada, a segunda segue uma linha melódica do Keeper II (tendo uma das linhas mais marcantes de Tom Hewson); ambas são abrilhantadas pelos seus respectivos refrãos feitos para gritar à plenos pulmões.

A (visceral) primeira parte de “Midnight Blitz” é concluída com “Barren Lands and Seas Of Red”, faixa que une o mundo do Heavy Metal presente na estreia com as linha Heavy Hard/Power Metal ao longo dos seus pouco mais de seis minutos. Se o disco terminasse aqui, ele já valeria a pena. Um grupo coeso e um vocalista pronto para ser uma estrela.

A balada “War In Heaven”, que conta com o tecladista Adam Wakeman, abre a segunda parte do álbum quebrando o ritmo frenético estabelecido. Embora baladas sejam comuns e todo mundo espera uma, esta soa deslocada — talvez por causa dos teclados nada sutis —, mesmo com a grande interpretação de Crains (“Eye of The Storm”, em contrapartida, é uma semi balada mais condizente com a atmosfera do disco). “Blood Sacrifice” e “Night Raids” colocam os “caçadores da meia-noite” nos eixos, encaminhando a conclusão do segundo disco do grupo inglês na maior potência possível.

O exercício de encontrar a dosagem certa entre o antigo e o novo é sempre uma empreitada complicada, uma vez que há uma linha tênue entre clichê e boa releitura. No caso do Tailgunner, eles pegaram o que foi feito e deu um frescor que veteranos ou novos fãs do metal pesado certamente terão dificuldades em criticar.

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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