Atualizado em: julho 13, 2026 às 7:22 am
Por Guilherme Costa
Eu sempre ressalto como a curiosidade é um fator determinante para conhecer um artista em tempos de divulgação massiva em redes sociais e streamings. Posso citar o já conhecido fato do artista cujo contato com o fã se aproximou — não esquecendo que muitas vezes o (grande) artista não está por trás dos seus perfis oficiais — ao mesmo tempo em que eu cito o “boca-a-boca virtual”, onde uma pesquisa leva a outra e logo você conhece outros projetos do músico em questão.
Isso foi o que aconteceu com o baiano Felipe Vaqueiro, que no ano passado lançou o disco “Handycam” em parceria com a cantora Sophia Chablau, e passou parte dos recentes anos realizando shows solos em São Paulo apresentando músicas do seu repertório próprio e da sua banda Tangolo Mangos.
E o Tangolo Mangos é o meu exemplo do “boca-a-boca virtual” citado acima, porque foi conhecendo o projeto com a vocalista da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo que eu descobri que o músico soteropolitano realizava shows solos na capital paulistana e que tinha uma banda!
Vaqueiro e companhia, a saber Bruno “Neca” Fechine (vocal e percussão), João Antônio Dourado (bateria), João Denovaro (baixo), Pedro Viana (guitarra) e Theo Kiono (guitarra), lançaram o segundo disco do grupo (“PEDÁGIOS Y CARONAS”) no dia 15 de maio, via Deck — três anos após a estreia, “Garatujas”.
Cheio de guitarras cruzadas, grooves e muita psicodelia, a sonoridade presente no álbum tem tudo o que podemos imaginar. Do Ska presente em “EU E VOCÊ (SKARÊNCIA)”, linhas de metais e sopros em “OHAYO SARAVÁ” (faixa cuja “versão alternativa” havia sido lançada numa parceria entre Vaqueiro e Chablau) ao suingue da MPB em “DOMINÓ”.
Como o nome e a quantidade de ritmos envolvidos na atmosfera no álbum, “PEDÁGIO Y CARONAS” é muito mais mais do que o sugestivo título, já que representa o processo de mudança da vida em Salvador para São Paulo. Nessa viagem e adaptação à nova vida, músicas como “GERAIS DO VIEIRA” e “GERAIS DO RIO PRETO” exemplificam essa transição (com muito rock e baião): primeiro, basicamente narrando a passagem pela região da Chapada Diamantina, localizada na cidade de Andaraí (BA); enquanto a segunda, que é logo emendada, mostra como o caos (também da nossa SP) não é algo fácil de se conviver (“E há quem diga que a correria, esse estilo de vida urbano é o que tempera e dá o sal/ Que o caos não é tão mau”).
Nunca sonoridade completamente expansiva e plural, o Tangolo Mangos passa longe de cair na zona de fazer tudo e nada ao mesmo tempo. Pelo contrário, aqui tem tudo — refletindo a sua energia juvenil, disposta a criticar e a exaltar o que eles presenciam e sem nem pensar em se podar. Com apenas trinta e um minutos de duração, “PEDÁGIO Y CARONAS” parece durar muito mais, tamanho é o dinamismo presente em suas faixas — nunca monótono.
Tendo tantas influências, o segundo disco da banda baiana poderia ser de música brasileira. Até é. Mas acima de tudo, é um grande disco de rock brasileiro — e ainda bem que a curiosidade me levou a conhecer o grupo!
Confira:





