Atualizado em: outubro 13, 2026 às 10:26 am
Por Guilherme Costa
No dia 26 de junho foi lançado o quinto disco de inéditas do Temples, “BLISS”, em todas as plataformas de streaming, via V2 Records. O álbum saiu três anos após o seu antecessor (“Exotico”) e mostra o quarteto — formado por James Edward Bagshaw (vocal e guitarra), Adam Thomas Smith (guitarra e teclados), Thomas Edward James Walmsley (baixo) e Rens Ottink — indo em direção a música eletrônica, numa transição semelhante ao que o Kasabian fez a partir “48:13”.
E a própria explicação do grupo acerca do significado do álbum, em suas redes sociais, deixou bem claro que o rock psicodélico (e beatlemaníaco) do primeiro álbum e as texturas meio Tame Impala dos seus sucessores já não seria o foco, ao comentar que “‘BLISS’ é sobre puro sentimento; esperamos que a música lhe dê permissão para se soltar, se mover e abraçar a si mesmo”.
Confesso que a primeira audição não foi muito animadora. Na verdade, o meu conhecimento sobre o ingleses se resumia ao ótimo “Hot Motion” (um dos meus discos favoritos da vida). Retomar a atenção para a banda com “BLISS” foi uma tarefa perigosa, à exceção de “Jet Stream Heart”, faixa que abre o disco com os dois pés na porta com a sua tonalidade dançante e arrebatadora e que, à sua maneira, se conecta em muito com os outros trabalhos do grupo — contendo um solo de guitarra, que parece um sintetizador ou saxofone, matador.
Portanto, o exercício de uma segunda e terceira audição foi muito necessária para que parte do disco fosse digerido de forma positiva; basicamente a primeira metade, onde o Temples não mergulha de cabeça no Indie Dance, com “Megalith” e “Glimmer” conseguindo dar um toque mais orgânico ao álbum (mesmo recheada de sintetizadores) com as suas bases sólidas, o dinamismo da guitarra e os refrãos chicletes de Bagshaw.
Entre a parte mais eletrônica, “Revelations” e “Vendetta” são bons êxitos — esta última tendo toques psicodélicos de EDM —, enquanto “Horizon”, “Waiting On The Echoes” e, principalmente, “Blue Flame” soam como algo que já foi feito e, por consequência, não sendo nada empolgante, mesmo com as suas batidas dançantes. Ainda há “Jaguar”, com uma roupagem noventista, meio Prodigy e Massive Attack, que destoa do álbum mas tem o seu charme.
Neste exercício de ouvir coisas além de “Hot Motion”, o disco “Exotico” me pareceu estar naquele estágio de fórmula em processo de desgaste e o direcionamento de “BLISS” mostra que o sentimento do quarteto não era muito diferente do meu (com o perdão da minha presunção). Embora haja muito o que ajustar, o Temples conseguiu mostrar que há vida entre o que foi feito e o que a nova fase pode construir.





