Atualizado em: setembro 7, 2026 às 6:53 pm
Por Guilherme Costa
Já faz dez anos que eu soube da existência do Water Rats por uma postagem do Capilé em sua conta do Facebook. Na postagem, se a minha memória não me trair, ele apresentava a sua nova banda — à época o Sugar Kane havia encerrado as atividades há pouco tempo. E eu fui lá ouvir o material do EP autointitulado de 2013 e do disco “Ugly By Nature” (2014). Foi amor a primeira audição!
Dez anos depois, Alexandre Capilé (vocal e guitarra), Pedro Gripstrzera (vocal e guitarra), Bi (baixo) e Renê Bernuncia (bateria) seguem tocando o projeto paralelamente à outros, com uma boa constância para não esquecermos da banda. O trabalho mais recente, “Macrodose”, saiu no dia 23 de junho, via Forever Vacation Records, em todas as plataformas de streaming.
Em entrevista ao portal Mortifera Mag, Capilé comentou que “comparado aos outros álbuns esse disco mostra mais nossa maturidade com o som que desenvolvemos durante todos esses anos de banda, sempre na raiz garage punk, mas agora com os ensinamentos de uma banda de 12 anos de estrada.”
A fórmula clássica do Water Rats segue a todo vapor, com faixas rápidas (a música mais extensa tem 03:09), vigorosas, furiosas e com um humor ácido para as suas críticas. Então, faixas como “Mush Pit”, “Robert Flag” (uma brincadeira entre um fã de Led Zeppelin e Black Flag) e “Life Snakes” soam familiares para quem já acompanha o grupo há um tempo. “Shining On”, cantada pela inconfundível voz de Gripstrzera, também é uma típica música do grupo, mas por contar com uma roupagem baseada no groove e boa cadência.
Em “M.A.LA” o grupo brinca com linhas de baião para gritar sobre tornar a América Latina grande de novo. E é a partir daí que o quarteto mostra coisas novas em relação aos outros trabalhos. “No Fun (In the World)”, cantada por Gripstrzera , explora texturas melancólicas do post-punk, enquanto “Wake Up High”, que também usa uma roupagem oitentista, alterna os gritos de Capilé com as vozes de Gripstrzera, trazendo um estado de euforia bem sugestivo; “Away from Parties”, por sua vez, traz uma dose de Pop Punk, com a ajuda dos vocais de Aline Mendes (Alinbloom e SWAVE).
“Macrodose” encerra com o “Reggae Rock” de “American Fuck Yeah”, seguindo o roteiro dos outros álbuns, onde o estilo jamaicano dá as caras em sua reta final (como acontece com “Toy Gun”). Com o título muito explícito, já sabemos do que ela fala!
São quatro discos de estúdio e dois EPs em doze anos de formação. Em “Macrodose”, o Water Rats segue liberando energia em faixas rápidas, ácidas e diretas. Com tempo suficiente de estrada, seja pela banda ou pelos outros projetos, o momento de explorar novos caminhos nunca pareceu tão adequado quanto agora!





