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Lyrre demonstra caminhos mais crus e sombrios no disco “Nothing Is Promised”

Em seu segundo disco, o Lyrre optou por construir uma atmosfera mais crua e sombria

Atualizado em: agosto 2, 2026 às 5:28 pm

Por Guilherme Costa

O Lyrre me chamou a atenção logo na sua fundação, por ser a banda da Michalina Malisz (então, recém saída do Eluveitie) e por ela ter assumido o papel de vocalista. O disco de estreia, “Not All Who Dream Are Asleep”, lançado em 2023, se tornou um dos álbuns mais ouvidos por mim nos últimos anos — basicamente, um “disco conforto” —, figurando entre os Melhores do Ano do Um Outro Lado da Música daquele ano.

Então, como ouvir e apreciar o sucessor depois disso? Fácil, compondo outro grande disco!

No dia 7 de maio o Lyrre lançou o seu segundo disco de inéditas, “Nothing Is Promised”, em todas as plataformas de streaming de forma independente. Tendo três singles liberados de forma promocional (“Orchard”, “Still Human” e “Ephemeral”), as pistas sobre o novo trabalho de estúdio foram muito bem claras. Malisz também comentou para o Um Outro Lado da Música sobre o disco, na edição de abril do 5 Perguntas:

Sentimos que “Nothing Is Promised” é, por um lado, uma continuação lógica do nosso álbum de estreia e, por outro, algo totalmente diferente. Existem algumas semelhanças: a mistura de metal com o hurdy-gurdy e os temas líricos sobre mudança e incerteza. Mas também há muitas diferenças. As músicas de “Nothing Is Promised” são mais cruas. Buscamos inspiração em gêneros de metal mais extremos e deixamos de lado a produção eletrônica, tão importante no nosso álbum de estreia

Acompanhada de Piotr Martuś, Miłosz Buśko e Tomasz Młóciński, Malisz está muito mais confortável na função de frontwoman e tem um papel importante na atmosfera mais crua e soturna do álbum — além da sessão rítmica, que está muito entrosada e virtuosa (sobretudo os trabalhos de guitarras de Piotr).

A faixa-título inicia o álbum de forma crua e controlada, como se a banda quisesse apenas pavimentar o terreno para o que viria a seguir. Entretanto, a sua atmosfera é bastante melancólica e pesada (distante do Folk Metal do debut), sobretudo pela letra: “Aqui estou/ Caminhando com o amanhecer/ Aguardando/ Aguardando o sol/ Longe de casa/ Longe de tudo que eu sei/ Será que vou encontrar?/ O que estou procurando?”.

Eu poderia ser preguiçoso e dizer que o álbum está mais simples ou menos ousado, seja pelo direcionamento mais direto ou pelo uso mais comedido das linhas de hurdy-gurdy. Porém isso está bem longe da realidade, que consiste em faixas muito bem construídas e mais dissonantes, como é o riff inicial de “Still Human”; “Eos”, por sua vez, é introduzida pelo hurdy-gurdy de Michalina (um dos poucos casos em que o instrumento está na linha de frente da composição), e logo entra numa dinâmica que se alterna entre momentos serenos e mais pesados, onde a parte instrumental é executada com maestria. Mas nada se compara às duas faixas que encerram o álbum, “The Well” e “Oracle”, onde, de fato, a sonoridade do Lyrre está muito mais extrema — mas sem perder o senso melódico.

“Orchad” é faixa com a estrutura mais usual (verso-ponte-refrão), mas contém um dos melhores exemplos de como a voz de Malisz está mais imponente, com a musicista não hesitando em soltar a sua bela voz no seu refrão — algo que também é destaque na já citada “Eos”.

Pela vivência de Michalina Malisz no Eluveitie e pelo sucesso do álbum de estreia, o Lyrre poderia muito bem ter optado por seguir o caminho mais fácil e criar um outro álbum que passeava entre o Folk e o Metal Moderno. Mas, felizmente, eles estão do lado dos artistas que não hesitam em ir de encontro ao desconforto do experimento. Sem isso, “Nothing Is Promised” não teria as grandes linhas de guitarras, as atmosferas cruas e pesadas, os grandes refrãos e toda a empolgação que o álbum me causou.

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Guilherme
A ideia do Um Outro Lado da Música surgiu após a minha conclusão dos cursos de locução e sonoplastia no Senac. A primeira etapa foi o podcast, disponível no Soundcloud, sendo seguido pela página no Instagram. O site era um movimento natural e, cá estou, escrevendo sobre artistas novos, antigos, pops, undergrounds!

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